terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Gualter Damasceno Rocha, o Gambá, pode ter sido morto por dançar com namorada do Marcelo Piloto no Mandela


Edite Damasceno, mãe de Gambá, acende oito velas no local onde o filho foi enterrado como indigente, no Cemitério de Santa Cruz Foto: Guilherme Pinto / Extra


Herculano Barreto Filho


O dançarino conhecido como o Rei das Batalhas de Passinhos de Funk pode ter sido morto por ter dançado com a mulher errada no baile do réveillon da Favela da Mandela, em Manguinhos.

O assassinato de Gualter Damasceno Rocha, o Gambá, de 22 anos, teria sido motivado por uma crise de ciúme do traficante Marcelo Fernando Pinheiro Veiga, o Marcelo Piloto, chefão do tráfico local, depois de ver a namorada dançando com Gambá.


A informação foi passada por moradores da Mandela ao Disque-Denúncia (2253-1177), que divulgou um cartaz pedindo à população que ajude a polícia a esclarecer o crime. A hipótese está sendo analisada pela Divisão de Homicídios (DH), que investiga o caso. O corpo de Gambá foi encontrado depois do baile, na manhã de 1º de janeiro, na Rua Pesqueira, em Bonsucesso.

Ele estava com hematomas espalhados pelo corpo, sem camisa, sem dois cordões de prata e sem R$ 200 em dinheiro, que tinha levado para o baile. Gambá foi enterrado como indigente no Cemitério de Santa Cruz na última quinta-feira, quatro dias depois da sua morte. O IML dá prazo de até três dias para que o cadáver seja identificado por um familiar. Depois disso, o corpo é enterrado como indigente.

Imagens captadas por câmeras de vigilância próximo ao local do crime podem ajudar a polícia a esclarecer o crime. Pela manhã, a família foi ao IML para registrá-lo como vítima do homicídio, ter acesso aos laudos e ao atestado de óbito. O dançarino foi espancado até a morte depois de sair do baile. Entretanto, a causa da morte só deve ser divulgada num prazo de 30 dias, após exames complementares.

Gambá era o terceiro dos quatro filhos do servente de pedreiro José Maria Rocha e da cozinheira Edite Damasceno. Todos nasceram em Bicas, Minas Gerais, mas foram criados, desde a adolescência, no Rio. Os irmãos moram na Vila Joaniza, na Ilha do Governador, onde Gambá ditava a moda para as crianças, por causa das suas roupas de marca.

Aos sábados, tinha presença confirmada nos bailes da Mandela, onde virou uma espécie de celebridade. Quando chegava, costumava ouvir: “olha o rapaz do passinho que apareceu na televisão”.

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