quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Juiza Patrícia Acioli teria enviado documentos - através de Oficial de Justiça - diretamente ao secretário Beltrame avisando sobre ameaças








Marcelo Gomes e Marcos Nunes

A juíza Patrícia Lourival Acioli, assassinada com 21 tiros na quinta-feira, tinha certeza de que alguém da inteligência da Polícia Civil estava passando informações ao bicheiro Luis Anderson de Azeredo Coutinho, o Anderson Bicheiro, para impedir que ele fosse preso.

A magistrada decretou a prisão preventiva do contraventor em 22 de abril de 2009, no processo que apura o assassinato de Paulo Ivo da Costa, ocorrido em 27 de abril de 2006 no bairro de Trindade, em São Gonçalo. Entretanto, até hoje ele está foragido.

A certeza de que o bicheiro recebia ajuda para escapar da prisão foi registrada numa audiência em 2 de setembro de 2009. A magistrada estava embasada em um grampo da Polícia Federal, que flagrou o bicheiro conversando com um homem não identificado. Na conversa, datada de 9 de julho do mesmo ano, o homem informa ao bicheiro que um amigo seu trabalha na inteligência da Polícia Civil. No diálogo, ele alerta que a juíza esteve no órgão para pedir prioridade na captura do contraventor.

Patrícia foi informada do grampo e de que o contraventor estava tramando a sua morte e a de seus familiares.

“Pela Magistrada foi ainda determinado que fosse encaminhado o documento de fls. 1024/1025 dos autos à Secretaria de Segurança Pública através de Oficial de Justiça, devendo o documento ser entregue pessoalmente ao Secretaria de Segurança, o que deverá ser certificado pelo Oficial de Justiça, para que seja apurado de quem dentro da Secretaria está passando informações para acusado foragido”, escreveu ela em trecho do seu despacho.

Em outro trecho do seu despacho, a juíza Patrícia Acioli diz que o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, teria garantido que o bicheiro seria preso em sete dias. O EXTRA procurou, ontem, o secretário. Beltrame negou ter feito a promessa.

— Eu não me lembro de ter falado com ela. Eu absolutamente não disse isso. Não diria esse tipo de coisa. Minha conduta não é de prometer nada, é de fazer — disse o secretário.

Beltrame disse que, ao tomar conhecimento do caso, determinou abertura de inquérito na Corregedoria de Polícia Civil, para apurar o suposto vazamento de informações para o bicheiro. Ele ainda pediu à Chefia de Polícia a captura do contraventor. Beltrame também solicitou a abertura de uma sindicância administrativa.

Os procedimentos estão em andamento, e ainda não há um autor identificado do vazamento. No entanto, o secretário disse que, caso seja confirmada a denúncia, com identificação do responsável pelo repasse de informações ao bicheiro, haverá “punição exemplar”.

— Se efetivamente aconteceu, entendo que trata-se de um fato gravíssimo e, em assim sendo, a punição deverá ser exemplar.


Nenhum comentário:

Postar um comentário