quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Quando as baleias sairem de férias talvez a gente possa então se amar um pouco mais




Pô, na boa...

Boa tal a Paolla esvoaçando cortinas na janela...

Eu sempre acho que terei tempos de paz até que um novo folhetim me coloca em cheque novelesco...

Nem divago sobre as razões desta sincronicidade inexplicável...

Vou lá e faço o que acho que deve ser, feito um trouxa...

E quase sempre me surpreende o desfecho com rebuscos de comicidade...

Fico muito mal...

Nem tem esta de sensação boboca de dever cumprido...

Na atual sociedade vale-tudo ao invés de nos devolverem gratidão preferem diminuir qualquer gesto solidário menosprezando o feito...

Não permitem que você saboreie sensação boa com cara de paciente com morfina...

Talvez algum dia eu crie coragem e conte os bastidores da performance dos ingratos miseráveis...

Na verdade, nem sei se a pequenêz humana merece que percamos nosso precioso...

Por vezes o silêncio como obséquio é mais eloquente...

E...

Também a qualificação de miseráveis não é a toa...

Em Os Miseráveis, o bispo Myriel dá abrigo a Jean que lhe rouba talhares de prata, castiçais e taças da casa paroquial...

Tempos depois o mesmo miserável retorna a pedir guarida e o sacerdote o acolhe sem perguntar nada e é novamente furtado...

Não sei se possuo este impressionante desprendimento todo...

O histórico repetido de ingratidão vai nos forjando outras formas menos samaritanas até como couraça de proteção...

Mas, não me permito ficar apenas triste distribuindo frases sorumbáticas de Clarice Lispector; macambúzias de Quintana; jururu feito Cartola ou carrancudo feito o melancólico petroleiro Monteiro Lobato ameaçando que a Cuca vai me pegar...

Creia, minha senhôra, as rosas não falam mesmo...

E nem exalam o perfume que roubam de ti...

Mas, tudo vai passar...

E todos baterão palmas para os napoleões retintos feito pigmeus de boulevard nesta nossa gentil  pátria mãe tão subtraída...

E, penitente...

Finalmente...

Quando as baleias saírem de férias...

Aí, sim, a gente vai então se amar, um muito mais...

Te prepara...

Põe meia dúzia de Bohêmias pra gelar...

Compre uma camisola nova e um par de algemas para construirmos uma catedral...

Prá quê as algemas?

Ué, você não falou que gostou do 50 Tons?

Então?!




Jorge Schweitzer








PS: Ah, sim; o Chico sambando me dá sensação que sou passista imbatível; assim como o Severó levantou minha estima onde até então eu me achava feio...



Nenhum comentário:

Postar um comentário