
Nenhum chefe de redação de qualquer mídia jamais aconselhará que seu comandado corra risco na busca pela informação...
Duvido que o Sindicato dos Jornalista do Rio consiga localizar pelo menos um repórter policial que não tenha sido exaustivamente alertado para que não ultrapasse os manuais de segurança...
O cinegrafista Gelson Domingos da Silva, da Tv Bandeirantes, somente acompanhou os policiais do Choque após, ele e outros jornalistas (da Globo e da Record) terem recebido informação por rádio que o BOPE havia 'tomado' o local e que a operação de 'rescaldo' poderia ser executada sem problemas...
Bandidos armados entrincheirados no local pegou todos de surpresa...
Policiais e jornalistas cumpriam procedimento padrão que prega que civis se abriguem por trás dos militares...
Tudo foi executado como previamente determinado...
A bala que atingiu Gelson era endereçado ao PM na sua frente...
Quanto ao colete ter sido perfurado de lado a lado não creio que um disparo naquela distância (100 metros, quando o projétil atinge sua maior velocidade) exista colete a prova de balas capaz de conter mesmo com adicional placa de cerâmica de 12 quilos...
Em confronto há cerca de dois anos um policial do BOPE teve o colete também perfurado com tiro de um sniper do tráfico e faleceu no local...
Tragédias sempre deixam ensinamentos para que outras não retornem a acontecer...
Cinegrafistas e repórteres que registram confrontos corpo a corpo no Rio de Janeiro ficam mais expostos que em guerras convencionais onde confrontos são feitos a maior distância...
Já estive em pelo menos três tiroteios intensos em favelas do Rio de Janeiro e o primeiro impulso é tentar chegar o mais próximo para filmar...
Teve um tiroteio ao lado de um prédio da FioCruz na Avenida Brasil que fica do lado oposto do Castelinho, quase colado a Vila do João...
Enquanto todos corriam para dentro do prédio eu fui na direção dois tiros e me abriguei atrás de uma árvore com a câmera na mão...
Foi quase instintivo e quando retornei uma senhora estava tão nervosa comigo que só então percebi minha idiotice...
Com Gelson Domingos sequer houve este atrevimento sem controle...
Gelson e os outros cinegrafistas da Globo e da Record simplesmente ficaram encurralados sem condições de retornar...
Foi uma fatalidade lamentável que, infelizmente, todo jornalista circula sempre entorno...
Não serve como consolo, mas nas palavras do irmão do Gelson Domingos, ele amava a profissão...
E, quando Boechat foi dar seu abraço durante o velório na esposa do Gelson escutou dela que não imaginava o quanto seu esposo era querido pelos amigos e companheiros de trabalho...
Descanse em paz!
Jorge Schweitzer
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