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sexta-feira, 22 de abril de 2011

Sexta Feira da Paixão

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Assoviava o vento de campanha na minha janela veneziana de madeira...

Com seu som e halo mágico...

Esvoaçando a cortina transparente a jorrar cheiro de anil...

Muito antes do clarear...

Assoprando nuvens de algodão imensas nos pampas...

Visualizava o fenômeno sonolento...

Maldizendo aquele horário de lobisomem...

O gemido da natureza trocando de horas...

No rádio valvulado, músicas sacras...

Pôs bueno...

Minha avó Pequena chegava no quarto...

Com seu cigarro Continental sem filtro entre os dedos amarelados...

Com suas mãos cheias de pintas me vestia a bombacha quadriculada...

Camisa branca dura engomada...

E lenço vermelho no pescoço...

Estava vestido de ‘grosso’...

Tomava um café com leite cheio de nata...

Que minha mãe se negava coar...

Na porteira a tropa aguardava com seus cavalos soltando fumaça quente pelas ventas...

Encabulado tinha dificuldades ao subir no pingo arisco...

Um cusco barulhento ladrava idiota tentava morder o calcanhar da montaria atrapalhando ainda mais minha manobra...

A contragosto, com a bochecha vermelha, dava adeus à minha família emocionada esporando o petiço marchador...

Como se estivesse partindo tal um “Voluntário da Pátria” para uma “Guerra dos Farrapos” das minhas aulas de História...

Galopávamos...

Chacoalhando arreios a caminho da colheita de “Macelas”...

Uma tradição gaúcha da Sexta-Feira da Paixão...


Recolhíamos o mato alto dentro de sacos alvos farinha de trigo antes do dia explodir seus últimos raios barrancos acima entre as montanhas e o céu...

Num clarão avermelhado cortando o puro azul do Rio Grande...

Evitávamos o frescor da geada noturna a afugentar a pureza das plantas sagradas...

Hoje...

Numa Sexta-Feira Santa de lembranças debruçadas no canto empoeirado da alma...

Ondulo recordações adultas a renovar momentos da ilusão de ser feliz...

Voltando a ser guri...




Jorge Schweitzer



PS: Atualmente vários grupos de gaúchos mantém a tradição da Colheita de Macelas a bordo de motocicletas...








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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Aldil 22...

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Ontem me aborreci sinceramente...

Evidente que, mais uma vez, alguém irá dizer que não gosto de ser contrariado...

Também, acho que ninguém gosta de ser contrariado...

Só que temos muito medo que estas adjetivações negativas - tipo 'ele não gosta de ser contrariado' - nos colem de tal forma que na próxima discussão alguém, espertamente, já inicie citando esta nossa 'alucinação' - repetida pelos contrários até virar verdade - desqualificando qualquer nosso argumento plausível por antecedencia...

Esta tática recorrente é ótima para desqualificar inimigos...

Tudo o que ele citar dali prá frente descamba nas profundezas do descrédito do conceito prévio...

Isto é um ardil...

Talvez o Ardil 22, só que ao contrário...

Quando eu era adolescente assisti um filme intitulado Ardil 22 num cinema do bairro Moinho de Ventos, em Porto Alegre...

Sai do cinema sem compreender o real significado do Ardil 22 que me parecia tão claro e maluco 22 quanto o Teorema do Pasolini...

Então, vamos parar de rodeios...

Estou me referindo ao episódio em que a Dra. Cristiane Marcenal teve o dissabor de ter um sujeito sem noção - Luiz Carlos Ribeiro Magalhães - lhe fazendo sabatina indevida sobre o Caso Joanna para depois descobrirmos que se trata de um provável aluno da professora Dra. Elisa Pittaro da EMERJ...

A estratégia de plantar bobocas figuras pontuais no caminho da Dra. Cristiane Marcenal tem por finalidade algo como o Ardil 22...

A cada vez que Dra. Cristiane reagir será novamente plantado que ela possui devaneios de uma hipotética Teoria da Conspiração...

Eu mesmo, quando descrevi para um jornalista que o Caso Joanna só estava fora da grade de notícias da sua rede de comunicação em função do acusado principal ser sobrinho do Biscaia, me devolveu que só faltava eu citar que a Nasa fazia parte do complô...

Todos sabemos perfeitamente como funcionam os subterrâneos do Poder; só que, temos medo de descreve-los para não cairmos no ridículo já que eles são o dono da última versão no bater do martelo...

Hoje mesmo foi estampado na Rede que o WikiLeaks abriu telegramas trocados onde influentes figuras do Poder eram insufladas por americanos a pressionarem o Judiciário brasileiro a inocentarem os pilotos do Legacy...

Semana passada, o cantor Lobão teve coragem de contar que comprou um Juiz com uma caixa de Ballantines 12 anos através do advogado Michel Assef...

Evidente que isto não é praxe rotineira no Judiciário, mas ocorre com frequencia preocupante...

Agora deverá ocorrer uma série de episódios onde bananas servis serão plantados no caminho da Dra. Cristiane Marcenal para acentuar que se trata de uma 'maluca com mania de perseguição'...

Nem se tratam de bananas cooptados pelos Marins que estes já estão ferrados mesmo, somente aguardando a quantidade imensa de anos que passarão atrás das grades...

São bananas plantados pela Juiza Claudia Nascimento Vieira ou pela promotora Elisa Pittaro...

Elas ainda reservam esperanças de resgatarem suas carreiras que sepultaram junto com Joanna Marcenal...

Taxar Dra. Cristiane Marcenal de 'maluca' se trata da única chance de submergirem da tragédia que impuseram a menina Joanna e continuarem em suas ilibadas vidas profissionais agora enlameadas...

Porém...

Repito...

O único indício da forjada adjetivação de 'maluca' que tentam incutir á Dra. Cristiane Marcenal somos obrigados a constatar que, realmente, a Mãe Cristiane é completamente doida de amor por sua menina Joanna; ao ignorar todos perigos para conduzir todos seus assassinos atrás das grades...

Pode ser que eu esteja a dar muita importância ao insignificante Luiz Carlos Ribeiro Magalhães que pode estar a tentar fazer o serviço sujo por conta própria como vivaldino atalho para se tornar juiz já que demonstra complacente corporativista elasticidade moral para servir aos interesses dos afundados seres da Casa em desespero...

Taí...

Lembrei do Capitão de Longo Curso do Jorge Amado...

Sou feito o falso capitão do Jorge Amado que num ímpeto louco e ignorante resolve amarrar seu navio com todas cordas da Bahia com a platéia do cais se debulhando em gargalhada...

No dia seguinte...

Acordou do porre com toda Salvador devastada...

Menos sua embarcação...

Tá venu?

Se todos não houvessemos sentido medo de sermos Loucos por um minuto sequer na vida - por inibição induzida pelos pseudos donos da sociedade - talvez mais gente estivesse lendo mais este texto nesta semana véspera de Natal...

Loucos todos somos...

Por vezes nos esquivamos de sermos tão Loucos quanto necessário...

Lembrei do Louco - do livro do profeta libanes Khalil Gibran - que possuia sete máscaras para cada dia da semana a circular pela aldeia escondendo seu rosto...

Certo dia roubaram todas suas sete máscaras...

Resolveu arrojar e sair para enfrentar a realidade agora com a cara limpa, não mais escondendo suas reações fisionômicas...

Pela primeira vez experimentou o prazer do sol e o vento no rosto...

Sua dança com rosto nu é quase um apoteosa que só mesmo Gilbran capaz de emoldurar...

Ah, sim...

Estava falando de que mesmo?

Desculpa...

Ah! Sim, acabaram de me repassar (e é bom que o Luiz Carlos nem se atreva a saber quem foi, que o sujeito é cabra macho mesmo) Luiz Carlos Ribeiro Magalhaes mora na Rua Terezinha Pinto 335/204, Centro de Nova Iguaçu...

Se alguém da imprensa quiser entrevistar o bisbilhoteiro para saber qual razão de ele ficar se metendo onde não deve...

Taí!





Jorge Schweitzer



PS: Ardil 22 é uma expressão cunhada pelo escritor Joseph Heller no seu romance Ardil 22, descrevendo um conjunto de regras, regulamentos, procedimentos ou situações as quais apresentam a ilusão de escolha ao mesmo tempo em que impedem qualquer escolha real. Na teoria da probabilidade, o termo refere a uma situação na qual existem múltiplos eventos probabilísticos, e o resultado desejado advém da confluência desses eventos, mas há probabilidade zero disso acontecer, visto que os mesmos são mutuamente excludentes. O “Ardil 22” é que "Qualquer um que quer sair do dever do combate não é realmente louco." (wikipédia)






sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Bom Dia Rio de Janeiro!

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Helicópteros sobre nossas cabeças lembram Bom Dia Vietnã...

Sirenes e caveirões não combinam com o Cristo Redentor de braços abertos sobre a Guanabara...

Viaturas cantando pneus e soldados com fuzis cruzados ao peito também não...

Isto não é Rio de Janeiro...

Parece "Guerra do Terror" da ex-esposa do Cameron....

Parece ficção de locação cinemográfica barata onde o Incrível Hulck ou Stallone aproveitam a mão de obra merreca local para desenvolverem suas performances repletas de canastrices imbecis nesta república de bananas nanicas...


O Rio está mais como cenário romântico de "A Saga do Crepústulo: Amanhecer" do que a realidade da Globo News flagrando ratos humanóides amontoados sobre camionete ou motoclicletas entre a Chatuba da Vila Cruzeiro e o alto da fronteira com o Completo do Alemão, antiga fazenda de Café...

Já estive dentro da sombria Vila Cruzeiro logo após o assasinato de Tim Lopes...

Numa noite de sábado onde o platô da Chatuba era palco de um baile funk com um caminhão inacreditável com paredão de caixas de som tinha intervalo para o pastor Marcos Pereira evoluir em exorcismo inacreditável párapápápáparápapá...


Fiquei tão chapado com a maresia de maconha no ar que imaginava que ninguém iria jamais acreditar na bizarrice funk-pentecostal que contaria por aqui...

Ainda bem que existe filme no YouTube a comprovar minha narrativa...

Vila Cruzeiro é uma comunidade pequena em comparação ao Complexo inteiro do Alemão que inicia em Bonsucesso; cruza Ramos; Olaria; Inhaúma e acaba na Penha...

Na verdade, Vila Cruzeiro - que o jogador Adriano adora e foi pilhado pela sua noiva que ameaçou amarrar na árvore e o goleiro Bruno jurou que lhe enfiaria a porrada se quebrasse seu retrovisor - fica fora do Complexo do Alemão...

Aquela estrada no topo, onde bandidos fugiam como baratas tontas, trata-se da fronteira...

O Rio de Janeiro de meu Deus é outra coisa...

Rio de Janeiro é praia; domingo; maracanã; futebol...

Mas...

Rio de Janeiro é também composto de replicantes bonecos do Minc e Gabeira que apertam um baseado e não se sentem culpados por fomentarem o poder armado em bumerangue que nos põe de joelhos diante da bandidagem evoluindo a beira da Igreja da Penha...

Qualquer babaca que bate uma carreira inteira na Baroneti também deve estar indignado como cidadão encurralado feito um trouxa dentro de seu apartamento de Ipanema...

Só que seu fucinho esmerilhado pelo pó produz capital de giro para aquisição do fuzil bandido da Vila Cruzeiro...

Seu cigarro de maconha bafora financiamente de pistola .40 do vagabundo que lhe enfiará medo no rabo...

Traficante de favela jamais resgata viciado no asfalto e lhe transporta amarrado até a boca de fumo para consumir...

Só vai lá quem quer...

E estes 'vai-quem-quer' são a ponta da iceberg social de levou a nau do Rio de Janeiro ficar a deriva emparedada pelo medo...

As normas legais de enquadramento de consumidores de drogas têm que ser repensadas...

Bandido não pode ter privilégio na cadeia...

Cadeia é castigo...

Não pode ter banho de sol, advogado pombo correio e encontro íntimo...

Encontro íntimo tornou-se tão patético que até homossexuais podem solicitar que seus parceiros façam partem da nojeira...

Bandido somente merece encontro íntimo permissivo com outro prisioneiro igual...

A expansão de benefícios prisionais vulgarizou o castigo...

Qualé?

Querem prazer?

Que se comam uns aos outros...

Contato com mulher deve ser como naquela cena patética do "Expresso da Meia Noite"...

Justiça é uma concepção da sociedade organizada para contemplar somente quem não comete barbaridades...

Bandido é bandido...





Jorge Schweitzer












segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A Mãe o Amigo Acidental...

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Ela quase nunca me chama pelo nome...

Me chama de 'Amigo'...

O som é ótimo...

Retribuo com 'Mãe'...

Ela é uma Mãe com direito a maíscula em todas letras...

Acham que isto tudo é uma troca de gentilezas sem direito a questionamentos?

Nada...

Apesar da minha enorme admiração pela sua desenvoltura de minha heroína, tenho que sacudí-la para evitar que seja vencida pela nossa agonia compreensível...

Tem horas que desmorono junto...

Tem horas que não consigo administrar a dor que o destino me colocou como parceiro acidental...

Ainda não consegui alcançar a exata dimensão da tragédia que nos tornou coadjuvantes encurralados pelo Poder...

Certo dia lhe falei que a gente pode tudo...

Tudo...

Menos retroceder o tempo...

E trazer sua Menina de volta...

Mas...

A memória de sua Menina acabará sendo respeitada...

Nossa existência só faz sentido quando abrimos a alma e nos expomos completamente a não permitir covardias impunes...

Ontem a Mãe ligou somente para desejar uma boa noite ao amigo...

Mesmo depois de um dia de ponte aérea...

Sua Menina foi adotada por todos nós...

Junto com suas lágrimas...




Jorge Schweitzer






PS: Viu?! Achei... Foi postado em 19/outubro/2010...






sábado, 20 de novembro de 2010

A figurinha que Carol me presenteou no final da corrida...

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Esta figurinha (scaneada) acima, Carol me entregou no final da corrida, ali na Lagoa Rodrigo de Freitas...


Carol tem 2 anos e oito meses...


Durante o trajeto ela conversava com sua mãe, enquanto abria pacotinhos de figuras de um álbum da Abril...


No meio da conversa ela saiu com esta:


- Não adianta o motorista me pedir que eu não vou dar minha figurinha prá ele!


Sensacional a Carol...


Eu não tinha pedido nada, mas interferi:



- Poxa, eu queria tanto uma figurinha destas prá mim...


E continuei falando outras coisas com a mãe da Carol e com a avó dela...



Daí, no final da corrida, Carol:


- Pode deixar que vou lhe dar uma figurinha...


Eu tentei desconversar para não desfalcar o album da Carol, mas ela estava decidida a me presentear com a figurinha...


Maravilhosa, Carol...


Mal sabe a Carol que tenho hábitos estranhos de guardar com o maior carinho estes presentes inesperados...



Tempos desses uma passageira me presenteou com um tapete do Bip Bip, lembram?!


Procurei o texto, mas não encontrei, em que comparava com o cachorro do Michey Rourke...


Vou tentar encontrar para repostar...


Estas pequenas lembranças guardo como enormes amuletos da sorte...


Obrigado, Carol!







Jorge Schweitzer








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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Muito Além do Paralelo Trinta...

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Nossos amores nunca vão embora definitivamente...

Eles permanecem para sempre, mesmo sem sua presença física...

Por vezes não o vemos mais, mas não o perdemos...

Continuamos com as mesmas sensações de prazer mesmo sem poder tocá-lo...

Como o vento que remexe seus lindos cabelos loiros com a mesma delicadeza daquela mão aquecida na cuia de chimarrão com a chaleira ao fogo...

Como o Minuano, fazendo curva nas coxilhas, assovia sons melodiosos que somente você e ele conseguiam traduzir...

Como o eco daquela gargalhada trocada na sombra de um cinamomo na frente de uma casa branca numa onda de carinho...

Como uma janela veneziana verde aberta para a noite estrelada de Cruzeiro do Sul em comunicação direta com a paisagem em preto e branco que ele lhe ensinou a colorir...

Como a exuberância do Lago Negro em ruidoso silêncio depois de uma chuvarada inteira...

Pôs bueno...

Não fique triste, embora com o coração cortado pela lâmina cruel da separação...

Fazer o quê?

Ele tem que ir embora...

Mas ficarão suas frases, seus longos silêncios, seus conselhos largos e suas justas pegadas...

Para sempre...





Jorge Schweitzer






















terça-feira, 9 de novembro de 2010

A Sofreguidão dos Espíritos Rebeldes...

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Possuímos espíritos rebeldes adormecidos nas almofadas da necessidade em continuarmos tocando nossa second life onde dissimulamos para continuar jogando...

Na brincadeira do dia-a-dia imposto pela patroa mãe gentil abrimos mão de ideais que poderiam transformar nossa passagem por aqui em um novo sentido para preparar um mundo melhor para nossos descendentes...

Somos egoístas...

Covardes...

E...

Mudos...

Não deveríamos permitir debochados políticos ladrões; safados assassinos desgraçados; idiotas pastores 171 e imbecis padres pedófilos fazerem pose de conquistadores baratos com seus discursos de inflexão irritante preparados por ghost writter, transcritos da Bíblia ou declamados por advogados rastejantes conhecedores dos descaminhos da Lei arregimentados a peso de ouro furtado para nos mostrarem vangloriados que o Judiciário não presta prá nada...

A história atual brasileira esta recriando uma nova moral imoral atendendo pervertidos sociopatas que tiveram habilidade de posicionarem-se no topo da pirâmide social...

Valores subvertidos ao sabor da ocasião...

Impossível explicar para nosso filho deitado ao lado, vendo o Jornal da Noite, que espertalhões não devam ser imitados...

Ele nos achará um trouxa ultrapassado...

Um otário sonhador...

Por vezes, dá vontade de passar a gastar frases e reticências para proveito próprio em conselhos de auto-ajuda e discurso de salvação ecológica com retorno assegurado...

Tempos atrás entrevistei um dono de funerária da Rua Mem de Sá e postei por aqui...

Fiquei perplexo em entrar pela primeira vez num lugar destes, mas necessário para entrevistar o papa-defunto...

Quando percebi que ele começara a ter dificuldades de explicação sobre seu ofício, saltei em seu socorro:

- Alguém tem que executar seu trabalho...

É por aí...

Já que infelizmente existem cadáveres insepultados...

Alguém tem que fazer o reconhecimento antes da cremação e cinzas arremassadas ao sabor do vento da impunidade...

Sempre haverá alguém...

Até que todos sejam cooptados para se tornarem a voz do dono...

Não restando mais nenhum dono da voz...

Nenhum...




Jorge Schweitzer



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sábado, 6 de novembro de 2010

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Aviso aos Navegantes...

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.Para os inimigos:

Só queria dizer uma coisa para os valentões que vivem enviando mensagens prá cá: estou rastreando e chegando pertinho de vocês...

Duvidam?

Aguardem...

Dentro em muito breve vou localizá-los e me apresentar para vocês me conhecerem pessoalmente e tentarem repetir na minha cara cada sílaba...

Um inclusive é funcionário do TJ...

Já estou quase chegando...

Falta pouquinho..

Até sugiro que vocês me provoquem mais ainda...

Por favor...



Jorge Schweitzer





quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O Agnóstico de Escapulário

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Não creio em Deus...

Mas uso escapulário até que ele se esfacele pelo tempo...

Contraditório?

Ao tomar banho tiro do pescoço e penduro junto a toalha com respeito incompreensível...

Nunca saio de casa sem ele...

É meu ritual surreal agnóstico que zomba de milagres de ‘apóstolos’ de Jesus na TV mas não desrespeita um cordão com imagem em cada ponta...

O primeiro ganhei ainda antes da primeira comunhão de minha Vó Antônia após lhe confidenciar um segredo numa noite fria de Porto Alegre...

A fé da Vó ‘Pequena’ era algo que comovia...

Suas novenas intermináveis cansativas num terço imenso cheio de aves-marias entremeados por pai-nossos e glória-ao-pai concluídos com uma salve-rainha em latim que sei de cor até hoje...

Suas passadas lentas a caminho da Igreja Nossa Senhora Auxiliadora da Rua Plínio Brasil Milano é um filme em câmera lenta na retina da alma...

As procissões que eu odiava mas adorava a vela acesa que respingava pedaços quentes em minha mão que eu mordia após solidificarem como em milagre...

Um dia, ainda menino, confessei-lhe um crime...

Havia matado um homem...

Subi em disparada escadarias imensas do colégio Dom Bosco da Rua Eduardo Chartier com um porteiro em meu encalço a esbufar por estar em local que não deveria circular durante o recreio...

No dia seguinte soube que ele havia morrido do coração...

Fiquei congelado pela culpa...

Segundo minhas deduções de legista-mirim espelhado nos gibis do Dr. Nick Holmes escudado pelo amigo mordomo Duarte...

Jamais havia contado pra ninguém...

Além de porteiro ele era encarregado da venda de vinhos do Colégio...

Minha mãe narrou que, no caixão, seus dedos ainda estavam tingidos do vermelho das rolhas manuseadas...

Fiquei assombrado...

Noites imensas sem dormir com a cabeça coberta com medo que ele estivesse abaixo de minha cama...

Minha Vó Antônia riu muito da minha culpa...

Me consolou:

'Você é um homem bom'...

Não sou...

Preferia que o desgraçado porteiro houvesse morrido em outra ocasião...

Para não ter que carregar um escapulário pra cima e pra baixo pelo resto da vida numa tradição compulsória...

O tempo se tratou de me provar que não matei o homem da cantina de vinhos...


E gerou um descrente incomum que usa escapulário como penitência...




Jorge Schweitzer






quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Meus leitores no Japão e Vietnã......

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Engraçado, diariamente existem estrelinhas piscando no meu Mapa Mundi de estatísticas no Japão, sempre exatamente em três cidades...

A estrelinha da Austrália, no canto direito abaixo, então já faz parte; pelo menos em Sydney está sempre por lá com minha amiga mãe de gêmeos, quando não rodeada de outras...

Erzurum, na Turquia, e Riyadh, Arábia Saudita também é curioso...

Quanto ao leitor(a) do Vietnã já deixei recado para fazer contato, mas parece que prefere continuar me lendo escondidinho(a)...

Oakland, EUA, também está sempre por lá, no outro extremo Oeste dos EUA...

Lima, Peru também tem sempre alguém me observando por lá...

Estou citando somente estas em função que ficam destacadas em extremos e não agrupadas em locais que possa distinguir com maior facilidade...

Logicamente, que é só um fato incomum já que todos meus leitores merecem minhas boas vindas por aqui...

Todos...

Basta solicitarem que eu páro tudo para escrever um texto sobre qualquer um deles...

É só pedir...

Se forem muitos pedidos vou cumprindo aos poucos...

Ah! Sim...

Devo avisar, antecipadamente, que a Knowles terá preferência...

Claro...





Jorge Schweitzer


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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O Cão preso e a Cadela encurralada...

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Adoro cães socializados...

E...

Quase não mantenho ódios perenes...

Alguns cachorros são dignos de dó...

Outros não...

Adjetivar sinonimo de cachorro ou cadela para determinados indivíduos trata-se até de elogio já que os caninos nem merecem tal paralelo...

A vida moderna criou laços sociais com nossos latintes amigos de quatro patas que 'vida de cachorro' equivale a vida boa...

Cachorros atuais tem direito a ração de boa qualidade que custam mais que a maioria dos bandejões sociais da Central do Brasil...

Plano de saúde, tomografia, tratamento...

Semana passada uma senhora me contou que seu cão, com aquela cara enrugada japonesa, tomou uma vacina de 800 reais...

Eu jamais devo ter tomado uma de 100, já que odeio agulhada...

Só que, cachorros são irracionais...

Por mais que algum dono descreva sentimentos inacreditáveis em seus Labradores...

Por mais que detalhem destreza não raivosa de seus pitt-bulls pacíficos...

Cachorro é cachorro...

Cadela é cadela...

Em determinado ponto seus instintos adormecidos extrapolam normas de convívio adestrado e partem para o ataque...

Lembro de uma mãe de repórter de rádio que foi esfacelada por uma matilha dócil que criava nos fundos de sua residencia em Laranjeiras...

Na cena ensaguentada inacreditável peritos encontraram diversos vira-latas e poodles ainda com vísceras nos dentes...

Está no DNA...

Aguardam a oportunidade ou algum episódio propício que lhes contrariem invasão de território eu explosão de instinto de posse por carinhos contrariados...

A realidade humana é muito pior...

Tive oportunidade recente de presenciar um cachoro preso...

Nem me permito mais chutá-lo...

Dentro em breve uma cadela estará adentrando seu devido depósito Suípa...

Quando eu era criança acreditava que todos cães capturados pela 'carrocinha' viravam sabão...

Espero que não...

Odiaria esfregar minha calça Lee com sabão de má qualidade...

Minha calça Lee Original custou uma fortuna...

Ah! Sim...

Calça Lee Original ainda é possível comprar ali na Av. Nossa Senhora de Copacabana, que depois repasso o endereço completo se alguém estiver interessado...

Sabão de má qualidade não sei como adquirir...

Mas sei a localização do depósito onde ficam guardados...





Jorge Schweitzer








segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Estive na DCAV ainda pouco...

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Minha idéia era chegar na DCAV e me apresentar aos policiais e pedir para falar somente duas palavras ao André Marins...

Só duas...

Mas, cheguei por lá e a porta da delegacia estava fechada e as pessoas com camisetas da Joanna no terreno ao lado junto com pessoal da imprensa...

Não me apresentei a ninguém...

Duas senhoras me reconheceram e vieram me abraçar...

Daí?

Enfiaram um holofotezão deste tamanhão bem na minha fuça...

Nem deu para enxergar mais nada do que estava por trás da luz...

Pedi que não filmassem e saí dali...

Ainda acho que não devo aparecer no meio deste caso...

Acho que ficar ao largo ainda pode ser mais útil...

Acho que alguém filmou, espero que não reproduzam...

Melhor não, depois que tudo se acalmar tudo bem...

Mas, entendo completamente o trabalho da imprensa que fica procurando qualquer brecha para saber do que se trata...



Jorge Schweitzer








domingo, 24 de outubro de 2010

O Velho, O Menino e O Mediterrâneo...

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Dia desses, um menino conversava com a mãe no banco detrás de meu Táxi
em Movimento...

- Ontem tive um pesadelo, mãe...

- Melhor não pensar mais nisto, meu amor...

- A culpa foi minha...

- A culpa foi sua, filho?

- Sempre sei o que quero sonhar... Antes de dormir fico pensando nas
coisas que quero sonhar a noite inteira... Ontem dormi distraído e
acabei tendo pesadelo...

Pelo retrovisor fico olhando a moça acariciando os cabelos do menino...

Crianças têm sonhos maravilhosos durante a noite, pesadelos quase nunca...

Lembrei de meus filhos que ficava admirando seus sorrisos
inexplicáveis e maravilhosos enquanto se remexiam no sono...

Não sei se existe alguma conclusão psicológica, mas quando criança
lembro que programava o que gostaria de sonhar...

Interagia com aquelas maravilhas...

Agora, uma confissão...

Ainda conservo esta técnica infantil...

Até hoje, antes de dormir, fico recordando os melhores momentos da
minha vida abraçado à minhas duas almofadas inseparáveis...

São momentos simples que enchem a alma...

Ontem recordei o abraço gargalhante e apavorado de Petrus se agarrando
ao meu pescoço depois de eu virá-lo de cabeça para baixo - no
apartamento da linda Cris na Hadock Lobo - tentando lhe mostrar que a
vida é tão bela quanto arriscada numa parábola física lhe demonstrando
meu químico amor acrobático e silencioso...

Sonhei com nós dois passeando a medir nossas passadas esculpidas – pé
grande, pé pequeno - tal um Gulliver na areia do mar do Mediterrâneo
com o barulho das ondas abafando nossas gargalhadas a disfarçar
lágrimas de uma imensa saudade...

Tá vendo?

Fácil...



Jorge Schweitzer



PS: Pronto, agora recebi texto com imagens... Obrigado, Marinalva... Não entendo como vocês conseguem guardar estas coisas e me devolverem de presente...

sábado, 16 de outubro de 2010

Aviso aos Navegantes II...

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Pois é...

Muita gente ficou chateada comigo por ter falado e não ter dado nome aos bois...

Não combina com meu estilo...

Então, 'vamu' lá!

No "Aviso aos Navegantes" eu estava me referindo a um blog criado para reproduzir notícias da Joanna...

Uma senhora me enviou o endereço da página solicitando divulgação já que a intenção seria solidariedade com a mãe de Joanna...

Descrevia como antecedente haverem criado um blog sucesso descrevendo o Caso da Isabella Nardoni...

Pediram autorização para reproduzirem meus textos e solicitaram que eu divulgasse o endereço...

Ótimo...

Somente respondi, por falta de tempo, com "Ok! JS"...

De posse do link passei por lá rapidamente...

No perfil de identificação dos responsáveis do blog aparecia foto e o nome da Joanna com idade e tal...

Vi uma foto das queimaduras da Joanna...

Achei inadequado imagens da Joanna com sonda...

Solicitei que retirassem a foto...

A moça que me enviou email respondeu que se trata de uma equipe e tudo é decidido de forma coletiva...

Ué, ninguém assina?

Aí não!

Descobri também que este blog também acata integralmente depoimentos do André Marins sem contestar...

Virou um blog oportunista que fica acima do muro aguardando a desgraça alheia fluir...


Já possuem mais de cem adeptos...

Não deveriam ter um sequer...

Respondi o email em que se negavam retirar a tal foto da Joanna com texto que acho preferível que vocês não conheçam...

Solicitei que não se dessem ao trabalho de responder...

Responderam...

Deletei o email sem ler...

É isto...

Nada a ver com quem me escreve sempre...

Entenderam?

Ou querem que eu repita?

Hehehe...

Ah! Sim...

Aquela moça linda, não vai me escrever mais não?

Não escreve, não telefona, não passa um SMS...

Basta telefonar que eu ligo a sirene e saio em disparada...

"Tá rinu, é?"...





Jorge Schweitzer






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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Aviso aos Navegantes...

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.Olhem só...

Quando envio email e solicito que não há mais necessidade de responder é definitivo...

A gente dá oportunidade para escutar com paciência, interagir e tal...

Se a pessoa quer tripudiar sobre, se achando?

Dança...

Mesmo quem insiste em reenviar eu não leio a tal resposta para não me aborrecer...

Se for em outra ocasião até perco tempo, atualmente não dá...

Vou lá faço sinal sobre o email e deleto sem ler sequer o título completo...

Recebo uma quantidade grande de emails todo dia, meu tempo é curto para ficar desperdiçando com pessoas que insistem em remar contra...

Outra coisa que atrapalha são emais coletivos odiosos...

Tem sujeito que me envia todo dia, religiosamente...

Todo dia mesmo...

Fico até sem graça de solicitar novamente que me exclua de sua lista...

Daí acontece que se ele tiver algo relevante para que eu leia acabo deletando sempre todo material remetido pelo tal...

Agora, para os amigos tenho todo o tempo do mundo...

Podem encher a caixa postal que eu leio tudinho...

Ok?




Jorge Schweitzer




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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A moça, o bilhete, o suicídio...

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É real...

Uma moça cometeu suicídio neste final de semana no Rio de Janeiro...

Não saiu na imprensa...

Nada...

Era bonita, classe média alta, 24 anos, muitos amigos...

Combinou como seria sua sexta-feira num bar do Leblon junto com amigas...

Não apareceu...

Nem atendeu o celular...

Reservou hospedagem em hotel de luxo com vista para o mar de São Conrado...

Somente para ela...

Escreveu carta de despedida...

Tomou remédios e deitou-se...

Foi encontrada quando venceu a diária no sábado pela manhã...

Ainda viva...

Morreu a caminho do hospital...

Foi sepultada no domingo pela manhã...

Um choque...

Suas amigas de balada se reuniram no Veloso à noite...

Prometem comparecer na missa de sétimo dia nesta semana...

Vida que segue...




Jorge Schweitzer






quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Têm dias...

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Ontem, apanhei uma moça na porta do HTO...

Braço na tipóia...

- Por favor, tenta evitar buracos...

- Vou tentar...

Resolvi entrevistá-la tomando cuidado de avisá-la sobre meu famigerado blog...

Ela foi respondendo...

Acidentou-se num acidente automobilístico...

Estava no banco traseiro do veículo...

- Com ou sem cinto?

- Sem...

Na realidade estava à bordo de um bugre ziguezaguendo em dunas...

- Cabo Frio, Arraial, Natal?

- Nada! Emirados Árabes...

Quase todos por lá possuem cicatrizes de acidentes equivalentes...

Conta que vive na Califórnia...

É cineasta...

Está nos Emirados para finalizar parceria para realização de um filme de animação...

É casada com engenheiro e não tem filhos...

Quero saber sobre a sociedade e costumes por lá...

Já aprendeu a separar seu tapetinho e orar em direção à Meca...

Se adaptou...

Oitenta por cento dos habitantes dos Emirados são estrangeiros, 20% emirates...

Não sabe a população total do país...

Nem eu...

Deve ser algo como cinco milhões, ou dez...

Chegamos, sem sacudir muito...

- Taí, gostei!

- Eu também, quando sair o filme me avisa!

...


Uma senhora acaba de atender o celular...

Desliga...

Sem eu perguntar, me comunica que um de seus filhos...

Já casado e com mais de 40 anos de idade....

Mesmo assim depende dos conselhos da matriarca...

Por que?

Ficou viúva muito cedo...

Seus dois filhos ainda tinham seis e oito anos de idade...

Seu esposo morreu em 1971...

Como?

Ele pertencia a Esquadrilha da Fumaça...

Retornava de uma apresentação em Minas Gerais...

Seis aviões em formação...

A esquadra resolveu saudar um comandante que estava no solo...

Dois aviões se chocam na improvisação desastrada próximo de Nova Iguaçú...

Quatro pilotos morrem na hora...

Incluindo seu esposo...

Não processou a Aeronáutica quase em homenagem ao esposo que era muito amigo do tal comandante...

Se arrepende...

Embico naquela rampa da Casa de Suíça...

Entra ao lado da portaria do Restaurante...

Chato ter que transportarmos mortos insepulcros para sempre...

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Um italiano de Roma embarca no final da Urca quase em frente ao Forte...

Fala pouco português...

Se esforça...

Conseguimos sintonia fina num linguajar paralelo...

Faz tempo que não apanho engarrafamento tão espetacular...

Está indo apanhar a filha naquele colégio ali da Visconde do Rio Preto...

Tento chegar pela Menna Barreto...

Desisto...

Retorno pela Praia de Botafogo mesmo...

Acesso pela entrada da Farani e entro abaixo do viaduto ao lado da Igreja Imaculada Conceição...

Ufa...

Me proporcionou conhecer meu passageiro...

Trabalha para empresa televisiva...

É correspondente...

Seu patrão?

Berlusconi....

Berlusconi está no poder há 10 anos...

Não tem intenção de desocupar tão cedo...

É algo como uma quase ditadura branca...

Berlusconi não está sozinho na Europa...

Felipe Gonzalez controlou a Espanha por 14 anos seguidos de fabulosa prosperidade e só foi defenestrado pela compreensível salutar alternância do Poder...

Acabo recordando do incidente dos três travestis brasileiros envolvidos com o governador da região de Lázio...

O tal governador era casado com linda apresentadora de TV e com duas filhas de algo como vinte anos de idade...

Sua esposa?

O perdoou...

O cargo?

Perdeu...

Os travestis?

Um deles apareceu morto e incendiado no melhor estilo carabiniero de ser que nada perde a banda podre de nossas paragens...

Meu passageiro tinha tantas informações, opinião e conhecimento que acabou ótimo o passeio engarrafado...

Apanha sua filha na porta da Escola...

A menina tem oito anos...

Fala italiano rápido e português ótimo...

Páro no sinal...

Um magro, sempre lá vendendo jujubas chega ao lado de meu vidro...

Venta, chuvisca fino...

- Três por um real!

Alcanço dois reais e pego...

As jujubas redondas soltam açúcar na embalagem...

Pergunto se a menina aceita uma...

Fica tão feliz que me atrevo lhe entregar todas três...

Ela quase não acredita na oferenda...

Nem eu imaginaria que a menina ficaria tão feliz...

Aquela bala é muito ruim...

Quer dizer...

Quando eu era criança adorava...


...

Um travesti...

Rua da Lapa altura do 120...

Muito feio...

Uma caricatura de si mesmo...

- Rua dos Inválidos, Hotel Fluminense...

- Ok!

Seu telefone toca o tempo todo...

Uma música estridente e chata...

O tempo todo...

No pequeno percurso, tocou pelo menos dez vezes...

Chato, muito chato...

Engraçado...

Prostituta modernosa sempre possui rádio nextel...

Já traveco, ainda não descobriu a nova tecnologia mais barata e eficaz...

Deveriam...

Nas inúmeras ligações atendidas fico cismado do bagulho doido variar entre 100, 120, 150 e 200 reais por hora de colóquio clandestino...

O travesti me esclarece que em função do preço do Hotel...

Quando é no Diamond ele não cobra o táxi, já que pode ir caminhando até...

Vejam só...

Seu objeto de desejo chegar até você gastando salto pelas calçadas irregulares...

Corta qualquer magia...

Me recuso a entrar em miudezas escatológicas alheias...

Porém, deve ter relação com algo de preferências...

Quando o travesti salta do carro fico olhando o nordestino vestido de mulher...

Imagino ela batendo na porta do sujeito todo-todo feliz que se depara com aquilo bizarro...

Sei lá?!

Depois de tudo complementado só lhe resta cair na real...

Sentar no primeiro meio-fio e chorar...

Muito!

Tudo!

Na real, na real...

Mesmo que fosse a mulher mais formosa do mundo...

E mulher mesmo, na acepção de anatomia e sentimentos...

Se combinar preço previamente?

E o sujeito aceitar?

Melhor encontrar outras fórmula à sublimar sua baixa estima...

Que tal um tatú?

Problema que dá dor nas costas...




Jorge Schweitzer