Colégio Imaculada Conceição, fundado em 1854, encerrar as atividades não é um evento isolado de "fim de ciclo". É um sintoma urbano comum.
Um patrimônio imaterial não se perde quando as paredes são derrubadas; ele se perde quando a função social do espaço é alterada para atender à lógica do mercado financeiro.
Assim como no processo colonizador, onde o território original é fragmentado e privatizado sob a justificativa de progresso, a especulação imobiliária atua redesenhando a cidade.
O solo deixa de ser um lugar de trocas humanas, educação coletiva e ancestralidade de um bairro, para se transformar estritamente em um ativo por metro quadrado.
Quando uma instituição centenária dá lugar a um condomínio residencial de luxo ou a um conglomerado educacional padronizado, o que se apaga é o direito à memória da paisagem urbana. A cidade se torna homogênea. O cidadão perde os pontos de referência que o conectavam à sua própria história.
Não se trata de melancolia pelo passado, mas de compreender os mecanismos do presente. Substituir a convivência comunitária pela exclusividade imobiliária é a versão moderna do cercamento das terras comuns.
Mudar a paisagem urbana é, essencialmente, uma forma de ocupação.
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