O Armazém do Senado tem duas velocidades.
Nos primeiros 20 segundos deste vídeo, você vê o sábado: a esquina da Gomes Freire com a Rua do Senado tomada pelo samba, uma multidão que o bar não consegue dar vazão e o lucro que transborda para os camelôs da calçada.
Nos 48 segundos seguintes, você vê a realidade do meio da semana: o marasmo. O silêncio vigiado por duas imagens de São Jorge no balcão. O Henrique, no mesmo lugar há 30 anos, repetindo um aviso clássico aos clientes: 'Aqui não tem cozinha'.
Para um olhar empresarial, o Armazém perde dinheiro por não ter a estrutura de um Belmonte ou o faro de show de um Beco do Rato. Mas para quem entende de Rio antigo, esse ritmo parado é a própria salvação do lugar. O Henrique não quer ser um grande empresário da noite; ele escolheu ser o guardião de um patrimônio de 119 anos.
Quem conhece o Centro sabe: a pressa do mundo moderno ainda não conseguiu dobrar essa esquina.
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