Quem passa hoje pelo Trevo das Missões ou tenta escapar do trânsito da Avenida Brasil nem imagina a dimensão do que acontece na Zona Norte. O Complexo de Israel não é apenas uma comunidade isolada; é um território plano que unifica bairros e loteamentos de Cordovil, Vigário Geral e Parada de Lucas, abrigando mais de 140 mil moradores.
Quando cheguei do Rio Grande do Sul em 1974, a Cidade Alta (que hoje concentra entre 15 e 20 mil pessoas) era o retrato do progresso, com os blocos coloridos do BNH. Meio século depois, o cenário se transformou em um dos pontos mais nebulosos do Rio, onde o crime utiliza barreiras com explosivos e abre valas no asfalto para deter as forças de segurança.
Após os graves conflitos recentes que fecharam a Avenida Brasil e paralisaram os trens da SuperVia, fui registrar o "efeito ressaca". Ver uma região que ferve gente ficar completamente deserta às 15h é um choque de realidade. A tensão é tão real que um morador local demonstrou espanto absoluto ao me ver circulando por ali.
Segurança operacional em primeiro lugar: preservando o celular e o trajeto, o relato fica para mostrar que, mesmo com a presença por tempo indeterminado da polícia, o controle invisível sobre a rotina de milhares de famílias permanece.
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