Na fazenda Pindorama, a história teima em andar em círculos. Há quem se lembre de quando o cercado era gerido por velhos generais de casaca verde-oliva, mais preocupados com os interesses do Norte do que com o milho dos próprios animais.
Foi o velho Ulisses, um porco de espírito público, quem desenhou os mandamentos de uma Nova Constituinte, prometendo que nenhum bicho voltaria a passar fome ou a ser calado nos porões da Granja do Torto.
Mas os anos passam e o pasto muda.
O herdeiro daquela velha linhagem — um Napoleão tardio que assumiu o comando em 2019 — preferiu trocar o debate por matilhas barulhentas vestidas de amarelo. Enquanto o líder soluçava em suas transmissões ao vivo, a fazenda enfrentava a sua maior crise sanitária, contabilizando centenas de milhares de perdas com o descaso de quem achava que era tudo "uma gripezinha".
No galinheiro, o porco Garganta corria para reescrever as regras: "Todos são iguais, mas os que fazem PIX são mais iguais que os outros".
Enquanto isso, na fazenda portenha ao lado, o cãozinho Javier late para o espelho, prometendo liberdade enquanto entrega o osso.
E os trabalhadores do campo, na dura jornada 6x1, assistem à velha história se repetir: os novos donos do poder tornaram-se idênticos àqueles antigos administradores que juravam combater.
Olha-se do porco para o homem, do homem para o porco, e já não se sabe quem é quem.
Será que Bola-de-Neve ainda herda este chão?
(Desculpe o realismo, Orwell!)
Leiam "A Revolução dos Bichos".
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