Quem me acompanha há mais tempo lembra da força que o meu antigo blog tinha.
Em outubro de 2011, aconteceu o sumiço do pequeno Yure Melo, de 2 anos, em Nova Iguaçu (RJ).
O que quase ninguém sabe são os bastidores reais e assustadores do resgate dele em Lorena (SP), quatro meses depois.
Na época, recebi de um informante anônimo o nome dos sequestradores e o endereço exato de onde o menino estava escondido.
A precisão da informação que recebi era tão impressionante que chegaram a duvidar e tive que insistir; eu tinha até o CPF dos bandidos.
Sabendo do perigo iminente, corri contra o tempo. Acionei imediatamente contatos importantes em São Paulo para fazerem a informação chegar à polícia de forma ultra sigilosa, antes que o pior acontecesse.
Na noite anterior a invasão da casa eu passei a noite enviando mensagens pra apressar operação pois havia risco de eliminação da vítima para sumir com provas.
Jornalista famoso enviou mensagem no dia seguinte e reproduzi na época e ainda está no blog:
"voce eh fodaa!!! O nome e endereco que vc me deu do caso Yure foi bingoooo! Delegado identificou o cara e ele foi intimado!! Vou pegar mais informacoes e te falo. Vc eh responsavel por tudo isso!"
O Globo me procurou após desfecho para fazer matéria mas não aceitei, nunca precisei desse tipo de exposição midiática.
E por que estou contando isso hoje?
Porque o destino me deu o maior presente da minha trajetória. O menino — que hoje assina Iuri — me encontrou aqui no Instagram. Ele me mandou mensagem para agradecer e me revelou bastidores de arrepiar que ele descobriu anos mais tarde sobre o próprio caso.
O Iuri me contou que o plano dos criminosos era vendê-lo para uma família nos EUA, onde ele seria traficado. Um dos sequestradores envolvidos (um suposto pastor da Renascer) morreu de câncer na prisão 6 anos depois, e o outro segue preso até hoje.
Mas o melhor dessa história de filme vem agora: o Iuri foi adotado por uma família maravilhosa, está super bem e me deu a notícia mais linda de todas: ele irá cursar Jornalismo.
Ele quer lutar para que outras crianças não passem pelo que ele passou. A mesma profissão que ajudou a salvar a vida dele lá atrás, agora será a ferramenta dele para salvar outros.
Seja bem-vindo ao jornalismo, meu amigo Iuri!
Só gratidão pela sua vida.

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