Quem caminha pela Avenida Rio Branco hoje, entre o movimento dos pedestres e o passar do VLT, nem sempre repara nas camadas de história que nos cercam.
Um desses marcos é o Edifício Marquês de Herval.
Inaugurado em 1952 e projetado pelos célebres irmãos MMM Roberto, o gigante modernista ostenta a Placa Azul do Circuito do Modernismo Carioca, carregando décadas de memórias afetivas no coração do Rio.
Mas a história desse endereço recente sofreu com as marcas do tempo, o esvaziamento do Centro após as grandes obras urbanas e o golpe de misericórdia trazido pela pandemia. Muitos corredores silenciaram, mas o subsolo guardava uma resistência.
Ao descer a icônica escadaria em caracol do edifício, o barulho da superfície desaparece. É ali que pulsa, desde 1956 neste mesmo prédio, a histórica Livraria Leonardo da Vinci. Em uma era digital onde o comércio eletrônico e os algoritmos forçaram o fechamento das maiores redes de livrarias físicas do país, esse oásis carioca resiste bravamente.
Mais do que livros, a Da Vinci preserva o calor do encontro, o aroma do café e a permanência física da nossa cultura. Um refúgio real e insubstituível que se recusa a sumir.
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