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segunda-feira, 11 de junho de 2012

O Agnóstico e o Escapulário






Não creio em Deus...

Mas uso escapulário até que ele se esfacele pelo tempo...

Contraditório?

Ao tomar banho tiro do pescoço e penduro junto a toalha com respeito incompreensível...

Nunca saio de casa sem ele...

É meu ritual surreal agnóstico que zomba de milagres de ‘apóstolos’ de Jesus na TV mas não desrespeita um cordão com imagem em cada ponta...

O primeiro ganhei ainda antes da primeira comunhão de minha Vó Antônia após lhe confidenciar um segredo numa noite fria de Porto Alegre...

A fé da Vó ‘Pequena’ era algo que comovia...

Suas novenas intermináveis cansativas num terço imenso cheio de aves-marias entremeados por pai-nossos e glória-ao-pai concluídos com uma salve-rainha em latim que sei de cor até hoje...

Suas passadas lentas a caminho da Igreja Nossa Senhora Auxiliadora da Rua Plínio Brasil Milano é um filme em câmera lenta na retina da alma...

As procissões que eu odiava mas adorava a vela acesa que respingava pedaços quentes em minha mão que eu mordia após solidificarem como em milagre...

Um dia, ainda menino, confessei-lhe um crime...

Havia matado um homem...

Subi em disparada escadarias imensas do colégio Dom Bosco da Rua Eduardo Chartier com um porteiro em meu encalço a esbufar por estar em local que não deveria circular durante o recreio...

No dia seguinte soube que ele havia morrido do coração...

Fiquei congelado pela culpa...

Segundo minhas deduções de legista-mirim espelhado nos gibis do Dr. Nick Holmes escudado pelo amigo mordomo Duarte...

Jamais havia contado pra ninguém...

Além de porteiro ele era encarregado da venda de vinhos do Colégio...

Minha mãe narrou que, no caixão, seus dedos ainda estavam tingidos do vermelho das rolhas manuseadas...

Fiquei assombrado...

Noites imensas sem dormir com a cabeça coberta com medo que ele estivesse abaixo de minha cama...

Minha Vó Antônia riu muito da minha culpa...

Me consolou:

'Você é um homem bom'...

Não sou...

Preferia que o desgraçado porteiro houvesse morrido em outra ocasião...

Para não ter que carregar um escapulário pra cima e pra baixo pelo resto da vida numa tradição compulsória...

O tempo se tratou de me provar que não matei o homem da cantina de vinhos...

E gerou um descrente incomum que usa escapulário como penitência...



Jorge Schweitzer





sábado, 17 de dezembro de 2011

Jorge Schweitzer, O Tambor

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Odeio o silêncio...

Odeio...

Mesmo...

O primeiro brinquedo que ganhei na infância foi um tambor...

Esmurrei com a baqueta até furar...

A família deu graças...

Os vizinhos, hosana nas alturas...

Certo dia os postes de madeira da minha rua estavam para ser trocados...

A prefeitura fez buracos ao lado dos antigos para após retornarem com novos...

Choveu...

Descobri o som maravilhoso das pedras que eu arremessava naquela água até a borda...

Cataplum...

O barulho oco da pedra antes de sumir deixando um círculo perfeito em torno...

A terra era de tabatinga vermelha e as formigas bundudas sumiram para outras paragens ao sol não mais esborrachar novas fendas para passearem...

Durante semanas chuvosas eu retornava a cada manhã para além do meu portão...

Acordava e sentava ao lado do poço providenciado pelo poder público que não retornava para concluir...

Cataplum, cataplum...

Finalmente - algum dia de arco íris com uma caçarola de ouro no extremo direito - chegaram os postes na caçamba de um caminhão Fenemê que de tão grande preenchia minha imaginação a cobrir a rua inteira até as coxilhas envoltas por nuvens de algodão...

Fincaram postes novos na rua inteira...

Menos em frente a casa onde eu morava...

Impossível, o buraco estava com pedras até a borda...

Quando descobriram que era brincadeira de um menino maluco de quatro anos de idade virou piada na rua...

Tiveram que fazer outro buraco poço ao lado...

A rua inteira ficou as escuras por minha causa...

Esta história é totalmente real...

Completamente...

Nas noites seguintes a cada vez que eu teimava em não dormir meus pais ameaçavam com pessoal do Fenemê da CEEE no portão como Homem do Saco que rapta criancinhas e entrega para ciganos....

Juro que até sonhava em morar em barracas imensas e ter a liberdade plena daquelas crianças que corriam entre moças de colares de ouro, grandes brincos de argolas e saias vermelhas rodadas sem jamais serem repreendidas...

Mas...

Tinha que ficar calado e quietinho até adormecer...

Em tempos de silêncio e solidão dá um angústia muito grande...

Gosto do som do meu bater de tambor...

The thin drum...

Die blechtrommel...

Tum...

Tum...




Jorge Schweitzer




segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Pastor Sérgio Dusilek: Sou ateu. Mas, se tivesse que frequentar alguma Igreja, seria a sua, com certeza. Abraço, Jorge Schweitzer





Recebi o email abaixo do Pastor Sérgio Dusilek:


Todo cristão é feliz?
Felicidade é propriedade ou estado do ser?
Uma pessoa que experimente a felicidade por vir a perdê-la?
Se sim, há algum jeito de segurá-la?
A partir do 1º domingo de dezembro começa a nova série de mensagens “LADRÕES DA FELICIDADE”.
Pois é exatamente sobre isso que falaremos a partir do domingo 04/12 na Comunidade Batista no RIO2
(Comunidade Batista no Rio-2 – 11:15h
– no centro ecumênico do condomínio RIO2)
e a noite no O2 (19.30h, em frente a academia Body Tech) .
Vejo você lá!
Abração,
Pr.Sergio Dusilek

Igreja Comunidade Batista do RIO2

Lugar de Palavra, Paz e Ânimo


http://cbrio-rio2.blogspot.com

Centro Ecumênico do Condomínio Rio2
– Av.Abelardo Bueno
– entrada do Rio2 Shopping3as
– das 20.00-21.00hs
– Escola BíblicaDomingos
– 11.15-12.30hs
– Culto
Centro Empresarial O2
– em frente ao Península
Domingo a noite – 19.30h





quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Jorge Schweitzer está a venda! Quem dá mais?














(texto escrito as três horas da manhã do dia 06/setembro/2011)



De antemão aviso que não valho nada...


Não tenho amigos...


Nenhum...


Todos fogem assombrados...


Me consideram um panfletário a pregar no deserto...


Meus discursos são inócuos...


Os ecos se perdem nas montanhas e nas selvas duras...


Ontem pedi socorro...


Após encontrar três famílias com suas crianças perdidas ao lado do prédio da Favela da Manchete agora retomada por Ordem Judicial...


Fotografei o local e enviei para quem poderia repercutir além de postar no Táxi em Movimento...


Voltei a trabalhar acreditando que eu seria atendido e minutos após estas famílias seriam amparadas pelo Serviço Social da Prefeitura do Rio de Janeiro ao tomarem conhecimento...


Sabem o que aconteceu?


Nada!


Algumas outras vezes aconteceu o mesmo fenômeno do silencio incompreensível como quando uma família se dirigiu ao IML para cobrar laudo da morte de uma criança...


Notícias ótimas são de mortes por atacado e não dramas isolados no varejo...


Logo após receberei enxurrada de explicações a consertar novamente...


Não importa...


Ontem...


Eu sozinho...


Fui responsável por algumas famílias miseráveis passarem esta próxima madrugada na rua enquanto todos nós dormimos em nossos edredons com cheiro de amaciante...


Se soubesse que desprezariam meus recados teria tentado outras alternativas...


Não fiz, confiei...


Como sempre insisto em confiar que numa véspera de feriado não estariam enchendo o porta-malas de seus automóveis luxuosos para saborearem o conforto de suas casas de praia ou da serra...


Ou no check-in de algum aeroporto em translado para seus paraísos...


Sequer utilizaram o blackberry - como sempre me respondem de pronto - para extrair toda esperança da alma dos desvalidos...


Mas, eu sou o culpado...


Sozinho...


Se ocorresse de uma única baleia encalhada eu conseguiria mobilizar a mídia inteira do país, mais o NYT, o Le Monde e toda população do Rio de Janeiro para se fingirem de guardiães a salvar o mamífero parrudo...


Se fossem três lindos pinguins da Antártida chegaria metade do contingente da Defesa Civil para sair bem na foto...


Se fosse uma família de brancos endinheirados do Leblon que perderam a fortuna em cassinos ou equivocados ao apostar na Bolsa e acabaram debaixo dos viadutos do Gasômetro apareceria o Fantástico disputando com o Domingo Espetacular a matéria...


Negros, pobres e ferrados já não constrangem comoção humana...


Pertencem ao imaginário que pobres se acostumaram com a crueldade do desconforto...


E pronto...


Eu queria somente que les misérables da Frei Caneca experimentassem apenas uma próxima noite inesquecível em que seriam tratados como cidadãos brasileiros numa véspera de nosso feriado de 7 de setembro da Independência do Brasil....


A reproduzirem para seus filhos que há motivos para não perderem a Fé...


Não consegui...


Nesta bosta de país desgraçado de todos poderes dos vagabundos enfatiotados ladrões a indignação deve ser deglutida no fel amargo sem que alguma gota de lágrima exponha nossa repulsa...


Melhor acostumar o olhar ao mondo cane e o olfato às desumanidades fedorentas para não vomitarmos a cada esquina da morte anunciada de todos ideais de igualdade e respeito pelo próximo...


Mas...


Engraçado como estas crianças abandonadas não sentem-se infelizes...


A cada fotografia eu tinha que mostrar no monitor como ficou...


Me abraçavam e riam quase sem acreditar na mágica...


Um deles beijou minha mão e os outros dois repetiram me zoando...


Registrei imagens de seus pais que almoçavam em vasilhas improvisadas e preferi não reproduzir todas fotos por aqui...


Uma senhora sentada sobre um colchão na rua ao lado com único dente no sorriso...


Outra moça na praça em frente em olhar perdido com suas inúmeras bolsas de plástico do Mundial e um fiel cachorro vira latas...


Tal ficção Blade Runner dos fins dos tempos...


A sociedade do cada um por si admirando estufados umbigos a emoldurar a pança forjada nas bandejas forradas por receitas escoladas nos matutinos programas da TV...


Faltou na porta da Favela da Manchete resolutas ONGs oportunistas que só mostram-se quando holofotes espocam a primeira página do dia seguinte...


E...


Um Deus Omnipotente e Onipresente em Triunvirato que só acode em falsos milagres pastores picaretas...


Oh Deus, onde estais, caramba?


Um Deus que só creio como brasão dos ventrílocos vendilhões do Templo a captar dízimos multiplicadores de rebanhos crédulos que a felicidade só nasceu pelas mãos do Criador para afortunados que adornam roupa adequada para adentrarem igrejas encarpetadas; capacidade mental para decorebas de versículos repetidos e holerites que identifiquem dez por cento...


Cansei!


Fim da linha...


Estou a venda...


Por qualquer trinta balas traçando 762 vezes sobre os céus dos acomodados...


Estes sorridentes meninos abandonados serão os próximos soldados...


Quem dá mais?





Jorge Schweitzer






PS: Vencendo minha falta de solidariedade me preparei para passar a noite com eles na frente do Instituto Felix Pacheco ao lado da Favela da Manchete transmitindo on line para meu blog e telefonando para os Bombeiros; PM; Conselho Tutelar - já que existiam crianças desprotegidas - e também para redações de jornais, até àquelas que me odeiam... Coloquei créditos nos celulares; peguei dois cobertores; comprei dez pastéis de queijo; duas Coca-Colas pet e segui para o local... Pela primeira vez na vida eu faria algo real... E... Não foi possível... O destino nunca me permite... Num intervalo de duas horas entre eu ir em casa e retornar já não estavam por lá... Alguém finalmente os acolheu... Ainda bem... Eu seria considerado oportunista pegando carona na desgraceira alheia... Acelero até a Glória e localizo meninos usuários de crack no monumento ao lado da Praça Paris... Ao mostrar o lanche ficam desconfiados com tanta generosidade celestial... - Não tem chumbinho, tio?... - Escolham qualquer pastel que como para vocês confiarem... Um deles mais arrojado... - Se é para morrer, melhor de barriga cheia... Conto que já fotografei alguns deles por ali... - Fotografa agora, tio, a gente comendo... Antes de ir embora deixo meu nome e telefone escrito atrás de um recibo do Táxi em Movimento que um deles guarda no meio dos seus trapos... Juro novamente que esta é a última vez que acabarei fazendo parte das tragédias humanas que narro por aqui... Juro... Na verdade não sou Valjean, sou Javert...






Pouco antes de postar este texto recebi telefonema de uma emissora de TV querendo fazer matéria sobre o caso... Não há mais nada a declarar... O que era para ser falado está acima...





quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Jorge Schweitzer, o Egocêntrico...

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Dia desses cai na besteira de fazer uma brincadeira conversando com pessoas amigas que escutavam minhas loucuras sem compreenderem que eu estava zoando:

- A Tv Record lê o 'Táxi em Movimento': reclamei que o Domingo Espetacular deveria voltar ao horário normal, voltou em detrimento do Gugu logo na semana seguinte; dei idéia que a Ana Hickmann merecia um programa só seu e ganhou mês depois; e rasguei elogio merecido ao repórter Gerson de Souza que passou a ser aproveitado pela emissora...

Eles ficaram me olhando pasmos com cara de 'Pô, o doido se acha, mesmo!"...

Lógico que foi só coincidência meus comentários haverem se materializados...

Eram conclusões tão óbvias que qualquer boboca da Record já havia percebido...

Mas, foi ótimo receber email pessoal do próprio jornalista Gerson de Souza agradecendo meus elogios...

Até reproduzi por aqui o recado do Gerson...

Evidente que nenhuma decisão importante é determinada em função de solitárias opiniões na Rede...

Mas fica sempre uma imaginária sensação...

Não sei porque...

Falando em Tv Record...

Foi ótimo escutar o Wagner Montes falando ao vivo - em seu Balanço Geral - com a Dra. Cristiane Marcenal direto do Tribunal de Justiça avisando que está ao seu lado no Caso Joanna e lhe dará espaço amplo em seu programa para cobrar justiça para os culpados sejam quais forem os bandidos que trucidaram sua filha...

Foi anteontem...

Novamente fiquei me achando...

Lógico, Wagner Montes nem deve saber que existo e jamais vai perder tempo com um, como diria Dona Helena Marins, 'taxistazinho'...

Imagina?!

O grande comunicador e deputado federal Wagner Montes jamais deve ter lido o 'Táxi em Movimento'...

Nunca!

Mas, sempre fico me acreditando um pingo de responsável por algum desfecho...

Me achando, como em condições de mudar o mundo de mentira...

Somente há razão de continuar martelando se não for pregação no deserto surdo...

Cada falsa vitória ilusória é estímulo a continuar...

Não existe outra razão...

Nenhuma!

De que vale mil, dois mil, quatro, oito mil visitantes diários do blog se vez por outra não houver esta saborosa sensação de vitória?

A cada dia em que inevitavelmente abro minha caixa postal e encontro quantidade incontável de ameaças escabrosas, tento não perder o foco nem me intimidar...

De que me vale tudo isto?

Oscilo entre parar e continuar...

Não oro nem rezo, mas gosto de mantras: nenhuma arma preparada contra ti prosperará, nada que possam tentar fazer contra você vai dar certo, ou vá lá, tendo olhos não te enxerguem e nem pensamentos eles possam ter para te fazerem mal; lógico, somente circulo me esgueirando pelas galeriais pluviais de Copacabana...

Continuo...

Sou egocêntrico...

Egocêntrico: 'Diz-se da obra cujo autor é o centro e principal ator.'...




Jorge Schweitzer













sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Jorge Schweitzer, O Ter e o Ser

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Jean Baudrillard morreu em março de 2007...

Filósofo francês e sociólogo...

Crítico da mídia e da sociedade de consumo...

Nos deixava inebriados com seus posicionamentos revolucionários...

Um Che pós-moderno sem abraçar fuzil...

Munido da metralhadora verbal ponto 50 a destroçar cérebros despreparados...

Sem perder a ternura jamais...

A ironia à desenvolver suas idéias sobre a substituição do real por simulacros reality shows imbecis...

Pôs bueno...

Baudrillard, desenvolvia uma teoria debochada...

Tinha por fim revelar hipóteses impensáveis...

Refleção sobre trilhas e caminhos oblíquos...

Lançando mão de fragmentos...

Desobedecendo lógica rigorosa...

O paradoxo contra-mão mais importante que o discurso linear...

Examinando a vida em volta...

Como fotógrafo...

Com rolleiflex digital flagrando o instantâneo...

Em estado brutal...

Um gênio perfeito na plenitude...

Fico putzo de la vita quando pessoas tão especialmente diferenciadas vão embora nos deixando órfãos...

Acumularam a compreensão do humano e se enterraram com ela...

Me conforma deixarem sua obra como um pensamento vivo e instigante...

Taí...

Lembrei de um passageiro que entrou em meu Táxi em Movimento...

Comentamos sobre a sociedade atual e a valorização do TER em detrimento do SER...

Recomendou que eu lesse Guy Debord...

Me enviou...

Deixou em minha portaria...

"A Sociedade do Espetáculo"...

Li...

E vi sincronicidade absurda com Baudrillard, talvez já revestido de pré análise do que eu queria encontrar...

“Nosso tempo, sem dúvida, prefere a imagem à coisa, a representação à realidade, a aparência ao ser. O que é sagrado não passa de ilusão, pois a verdade está no profano. Ou seja, à medida que decresce a verdade a ilusão aumenta, e o sagrado cresce a seus olhos de forma que o cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado.”

Guy Debord discorre sobre as transformações das relações sociais que nos proporciona um criminoso desgraçado filho da puta capaz de torturar e matar uma criança...

Adotada por minha consciência culpada pela covardia por não reagir violentamente...

Contra babaca bandido da desenvoltura de um verme André Marins que agora esconde o rosto como qualquer réles ladrão de bicicleta...

Não vou cansá-los...

Talvez hoje eu esteja escrevendo mais para mim mesmo...

Quase nunca faço...

Mas é ótimo...

Embora...

Ninguém irá ler até o final...

Nâo estou nem aí...

Mas, para quem acha que repito os mesmos ideais cansativamente esvoaçados ao léu, reproduzo:

“As idéias se aperfeiçoam. O sentido das palavras também. O plagiato é necessário. O avanço implica-o. Ele acerca-se estreitamente da frase de um autor, serve-se das suas expressões, suprime uma idéia falsa, substitui-a pela idéia justa...”

Leiam Jean Baudrillard e Guy Debord...

Eu?

Almejo plagiar gênios atualizando suas idéias justas...

Remexendo a revolta que se recusa dormir...

Acho que vou até a praia ver o dia amanhecer...

O mar me acalma!




Jorge Schweitzer







terça-feira, 5 de outubro de 2010

No meio disto tudo...

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Ontem a noite, uma amiga me ligou...

- Jorge, estou tentando há horas e não completa ligação...

- É que eu estava dentro de uma galeria aqui no Leblon que não deve ter sinal!

- Ah! Logo vi, você é feito fumaça; ninguém te enxerga; vive se esgueirando por aí nas galerias da Zona Sul...

- Não! Galeria, galeria mesmo; com várias lojas e escada rolante...

- Hahahahahahahahahahaha...

- Não é possível que você imagina que ando me escondendo dentro de galerias pluviais?!

- Estava brincando...

Só me faltava esta!




Jorge Schweitzer



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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O Gato e a Tatuagem...

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Será que elas irão me ler?

Não importa...

Duas moças entram no meu táxi em Botafogo...

Sabem estas pessoas que dá vontade de conversar a vida inteira sem cansar?

São estas gurias maravilhosas...

Aqui vou cometer uma brutal inconfidência...

Uma possui um gato - bichano mesmo, miau - que é viado...

Completamente, bebe água do aquário sem comer os peixes...

É até amiguinho dos peixes...

Bichaníssimo...

Comentam que estão indo fazer uma tatuagem depois de saírem de outro local de beleza...

Estas maravilhosas meninas só pensam em se repaginar...

Uma fala de lipo que fez, outra em plástica que fará; além da tatuagem...

Eu:

- Odeio tatuagem...

- Pô, então deixa eu contar isto... Meu pai odiava também e mudou de idéia... Primeiro fiz um pequena de estrela e depois tatuei o nome dele... Ele até chorou... Disse que jamais imaginaria uma homenagem deste tamanho...

- Também choraria, aí é chantagem pesada, só faria uma surpresa desta para a Beyonce... A única tatuagem que achei bacana foi uma amiga que escreveu meu sobrenome do lado externo do pé...

Elas se preparam para os sabores da vida, lembrei do texto "Jantar com a mulher"
http://taxiemmovimento.blogspot.com/2010/05/jantar-com-mulher.html ...

Mais adiante comentamos sobre beleza, feiura e desembocamos em Jo Soares e as moças bonitas do Papo Calcinha que acabei achando horrorosas no final da entrevista
http://taxiemmovimento.blogspot.com/2010/09/as-mocas-do-papo-calcinha-no-jo-soares.html ...

Engraçado esta coisa de avaliação de feio e bonito...

Uma pessoa linda e vazia nos causa enfado na segunda frase...

- A gente tem que aproveitar para melhorar antes que tudo caia e só tenhamos que nos preocupar com a saúde para envelhecermos com qualidade...
Me atrevo em não concordar:

- Que nada,a gente sempre persegue a felicidade...

- É mesmo, tem razão...

- Voce estará velhinha tentando seduzir um idoso no andador mastigando a dentadura e com fraudão pendurado mostrando o cofre murcho...

Elas caem na gargalhada...

- Pegou pesado, amigo, velhinho mordendo a dentadura é forte demais...

A outra chora ao imaginar o sujeito tentando se equilibrar no andador repuxando o fraudão para não cair até o tornozelo...

Pois é, pessoas conseguem nos deixar capturar em dois segundos...

Outras, nos perdem para sempre ao deixarem um rastro de sisudez incompreensível...

Quantas oportunidades magníficas a vida nos colocou cara-a-cara encontros sublimes e preferimos exercitar sordidez ignorante?

Pois é...

Esta eu não perdi...

A moça ficou de me enviar foto da sua batata da perna tatuada para eu mostrar prá voces já que imaginei impossível combinar Corcovado e Pão de Açucar sem parecer um cartão postal...

Se não enviar?

Sem problemas...

As gurias são lindas...




Jorge Schweitzer





A Maldição da Pimenta...

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Anteontem apanhei uma moça grávida com barrigão, ao lado de sua filha de seis anos de idade, ali na Rua Siqueira Campos...

Quase no final da Ladeira Tabajaras...

Sua filha estava com febre há dois dias e vomitando tudo que comia...

Destino, Hospital Miguel Couto...

Ao descer o Corte do Cantagalo - em direção a Lagoa Rodrigo de Freitas - desabamos dentro de um engarrafamento monumental...

A menina começa a vomitar...

A moça já estava preparada com imensa toalha e sacos de plástico...

Sabe a primeira coisa que me ocorreu de bate pronto, por impulso?

E se a criança vomita meu carro?

Como sou idiota...

Como pode rolar um pensamento destes numa hora em que alguém passa mal?

Mas, passou...

A gente é assim mesmo...

Depois, fiquei putzo...

Somos adestrados a pensar só em nós mesmos, o tempo todo...

O resto que se rale...

- O senhor pode ficar tranquilo, ela não irá sujar seu carro...

Me senti pequenininho, ridículo, imbecil...

- Senhora, não se preocupe; socorre a menina tranquila, já estou parando e vou lavar o carro mesmo, se sujar eu limpo e depois que ela melhorar eu passo na sua casa para tomar um café com bolo de fubá, adoro bolo de fubá com café preto fumegante...

Melhorou, ela ri muito da minha brincadeira e promete deixar o endereço completo para eu conhecer o próximo neném, caso eu não me incomode de subir a comunidade agora dominada por UPP...

A menina adormece no colo da mãe, com a música baixinho e o ar condicionado soprando seus sonhos...

Para enfrentarmos a terrível retenção de trânsito resolvemos conversar em voz baixa...

Ela é cearense; casada com um maranhense...

Seu esposo é pedreiro...

Trabalha construindo casas no Tabajaras...

Sempre tem trabalho...

Eles têm mais um filho adolescente...

A chegada da próxima menina não foi prevista...

Apesar dela já ter feito laqueadura, engravidou....

A menina de seis anos, que está no carro, terá que dividir o quarto com a menina que virá...

Não há como aumentar a construção vertical...

Ela mora acima da laje da casa de seus pais; num quarto, sala e dois quartos...

Acima de sua laje construiram dois pequenos apartamentos que alugam...

Um inquilino paga 500; outro 600 reais...

Confessou que seu marido ficou muito amigo de um dos inquilinos...

Aos sábados ambos vão para uma noitada concorrida de Reagee no Pavilhão de São Cristóvão, a Feira dos Nordestinos...

Está muito irritada...

Sua mãe lhe recomendou que colocasse o nome de ambos dentro de um pote de pimenta...

É certeiro...

Trata-se de uma simpatia para afastar pessoas...

Não sabia que existia...

- Como funciona esta praga?

- Voce pega um papel e escrevo o nome dos dois, coloca dentro de um vidro de pimenta malagueta e joga no mar...

- Simples, funciona?

- Em dois dias; acho que até eles irão virar 'cuaíra'...

- Que raio é isto, moça?

- Bichas...

- Nunca ouvi falar desta expressão...

- É do Maranhão...

Atenção, pessoal, se aparecer uma porrada de vidros de pimenta malagueta boiando ali em frente a Rua Santa Clara, já sabem...

Um, é da minha passageira do Tabajaras...

Os outros, são meus mesmo...

E se o José Sarney aparecer rebolando já não mais ao lado do Lula todo requebrante?

Fui eu...

Sózinho...

Erenice e Dilma juro que não tenho nada a ver...





Jorge Schweitzer





segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A noite de 48 horas...

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Passamos a vida procurando a frase completa para descrever nossos sentimentos perfeitos...

Lapidando inflexões...

Surrupiando emoções desavisadas...

Ontem escutei somente uma; direta, simples, sem indução manipulada:

- Queria que este dia jamais acabasse...

Não consegui responder...





Jorge Schweitzer






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domingo, 29 de agosto de 2010

Biografia de Mulher...

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Quero incluír-me em tua biografia...

Deslizar pelo teu iluminado oceano de sensações...

Preparar cerimoniais sem respeito a protocolos...

Descumprir ordens de teus falsos pedidos...

Profanar sonhos e pecados irracionais...

Desfrutar a ornamentação de tuas formas...

Presenciar teu terremoto...

Embeber o forte sentido básico do amor...

Arregalar prazeres preservados a deuses que acreditavas nunca viriam...

Singrar tua calmaria do dia seguinte...

Emoldurando em tuas lembranças uma coletânea de recordações que se manifestem fisicamente como uma pontada dois dedos acima de seu umbigo como minha mão deslizasse em tua nuca, que enrubesça seu rosto, aumente seus lábios, molhe suas mãos, brilhe seu olhar, trance teus dedos, descontrole seu ventre, estremeça teus joelhos e torne seu braço como um mar ondulado em arrepios...

Como um porre de vinho branco gelado numa noite de 36 horas em Copacabana que não temos a menor idéia se calor ou frio...

Tornando impossível admitir que o pretérito não será para sempre presente...


Jorge Schweitzer




PS: Antes que vocês pensem bobagem... Escrevi este texto - acho que em 2008 - para uma amiga que me pediu para beber uma jarra inteira de água gelada, de um gole só, antes de me responder sem respirar... Querem saber quem é? Amanhã, eu conto... E, mostro a foto da moça...







sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O Canto do Cisne...

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Acho que estou morrendo...

Sério!

Tipo aquele troço de último suspiro...

Tipo-assim aqueles sinais de vida que moribundo dá somente para se despedir dos próximos...

Todo mundo fica achando que agora vai e o trouxa capota denitivamente...

Vocês devem estar imaginando que pirei...

Eu também...

Lógico...

Seguinte:

Estou recebendo saraivada de propostas femininas movidas sei lá por quais impulsos...

Hoje recebi mais três...

Estou achando ótimo...

Mas, desconfiado por tanto milagre...

E com direito a fotos, muitas fotos...

Em tudo quanto é pose...

Não confio...

Foto dá falsa impressão...

Daí?

Uma dona entrou on-line e ligou a cam...

Aqui parêntesis...

Vou confessar, melhor confessar...

Normalmente me posiciono 'invisível' no google mas estou por lá escondidinho por vezes...

Daí perguntou como gostaria de analizá-la...

Peraí!

Não exagerem...

Não tenho mais idade para tanto...

Mas, estou achando ótimo...

Não sei qual episódio detonou isto tudo...

Me informem...

Estou me sentindo um baby beef, apesar de old...

Agora...

Claro...

Continuo dando preferência à cidadã que possua pelo menos três apartamentos de 500 metros quadrados entre a Rita Ludolf e o Posto 10...

Desembaraçados...

Nunca imaginei que esta coisa de blog pudesse dar em algo...

Claro que não deve dar, na real...

Mas está ótimo...

Estou me sentido um galã da terceira idade...

Todas que me enviaram fotos e recados autorizaram reprodução...

Para desespero dos fofoqueiros e futriqueiras de plantão?

Não falo mais nada!

Por quê?


Não quero desbancar a favorita aí abaixo à "Mala do Ano"...





Jorge Schweitzer



terça-feira, 17 de agosto de 2010

Vinte Quatro Horas e Meia de Amor em Copacabana...

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Raptar-te consentidamente...

Morder tua nuca até te cobrir de arrepios…

Massagear teus pés…

Contemplar luas e estrelas a pulsar do lado esquerdo...

Fazer quatrilhões de cócegas em tua barriga para te matar de rir…

Te carregar até o chuveiro te molhando imobilizada com roupa e tudo…

Caminhar na beira do mar de Copa até o Posto Seis…

Ficar em silêncio escutando ondas, gaivotas e barcos...

Te confidenciar mentiras verdadeiras que você não possa comprovar...

Mirar profundamente dentes imensamente brancos e olhos coloridos tentando decifrar tua alma…

Tentar não lembrar que este turbilhão tem prazo de 24 horas de duração...

Te dar banho adolescente na torneira de limpar os pés da garagem de meu prédio…

Te carregar no colo e te emparedar na lateral acolchoada do elevador de serviço…

Te dar um porre de vinho chileno barato para descobrir tua performance selvagem…

Te ver adormecer em meu colo, enquanto leio kama-sutra, e te faço cafuné…

Ser acordado, no meio da noite, com você montada me imobilizando indagando com quem estou sonhando para estar naquele estado depois da louca maratona…

Descobrir ao amanhecer que você arranhou minhas costas feito tatuagem para mostrar que dali pra frente tenho dona…

Fazer casinha de lençóis para encobrir a claridade abraçado lhe suplicando delícias imorais na sua orelha ruborizada por surpresas…

Te ver ir embora…

Louca para ficar..



Jorge Schweitzer






PS: Este texto escrevi num período em que não poderia identificar a senhorita supra citada e brinquei em ficção... Daí, deu mierda da mesma forma... Me deixei cair na tentação de misturar realidade com devaneio e tasquei: "Contemplar luas e estrelas a pulsar do lado esquerdo"... A tal bonitona possui tatuagem de uma pequena lua com uma estrela no pulso esquerdo... Como mulher é esperta e não deixa passar o detalhe... Dancei... Estas mulheres, também, fazem tempestade em copo d'água... Foi só um diazinho... Pô, a gente não pode nem dar uma escapadinha de nada...

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sábado, 14 de agosto de 2010

The End...

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Acordo sobressaltado...

O sonho era muito real...

Premunitório...

Não fico triste...

Fico eufórico...

Não posso perder tempo...

Ponho uma cueca nova...

Faço barba com cuidado...

Não posso correr risco de causar má
impressão sobre a maca...

Por onde começar...

Tomar um porre?

Não...

Rezar?

É chato e não iria modificar o traçado...

Ao invés de acordar meu filho deito a seu lado e acaricio...

Não encho-lhe de conselhos...

Lembro uma frase - não sei se é esta ou se com certeza é de São Tomás de Aquino - "Amar é deixar que o outro seja..."

A caminho do elevador bato na porta da vizinha que sempre me pede uma xícara de açúcar pelo interfone depois da meia-noite...

Após anos, dou-lhe um beijo...

Compro o Jornal e ao invés de sair apressado fico escutando o jornaleiro que dá sua versão para todas as manchetes...

Na esquina penso em tomar a arma do Guarda e botá-lo para correr pelas duas multas do ano passado...

Desisto...

Não posso perder tempo com gestos menores...

Pego uma antiga agenda e ligo para amigos perdidos que o dia-a-dia atribulado foi tratando de afastar...

Resolvo que irei escancarar o sorriso para todos que estiverem aborrecidos...

Ligo para minha amada e descrevo detalhes idiotas de meu amor...

Decidimos que ficaremos juntos o resto do dia, apesar de quinta...

Deito em seu peito escutando batimentos de seu coração, que acredito meu...

Aguardando que o meu pare...



Jorge Schweitzer




Jorge Schweitzer, O Ter e o Ser...

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Jean Baudrillard morreu em março de 2007...

Filósofo francês e sociólogo...

Crítico da mídia e da sociedade de consumo...

Nos deixava inebriados com seus posicionamentos revolucionários...

Um Che pós-moderno sem abraçar fuzil...

Munido da metralhadora verbal ponto 50 a destroçar cérebros despreparados...

Sem perder a ternura jamais...

A ironia à desenvolver suas idéias sobre a substituição do real por simulacros reality shows imbecis...

Pôs bueno...

Baudrillard, desenvolvia uma teoria debochada...

Tinha por fim revelar hipóteses impensáveis...

Refleção sobre trilhas e caminhos oblíquos...

Lançando mão de fragmentos...

Desobedecendo lógica rigorosa...

O paradoxo contra-mão mais importante que o discurso linear...

Examinando a vida em volta...

Como fotógrafo...

Com rolleiflex digital flagrando o instantâneo...

Em estado brutal...

Um gênio perfeito na plenitude...

Fico putzo de la vita quando pessoas tão especialmente diferenciadas vão embora nos deixando órfãos...

Acumularam a compreensão do humano e se enterraram com ela...

Me conforma deixarem sua obra como um pensamento vivo e instigante...

Taí...

Lembrei de um passageiro que entrou em meu Táxi em Movimento...

Comentamos sobre a sociedade atual e a valorização do TER em detrimento do SER...

Recomendou que eu lesse Guy Debord...

Me enviou...

Deixou em minha portaria...

"A Sociedade do Espetáculo"...

Li...

E vi sincronicidade absurda com Baudrillard, talvez já revestido de pré análise do que eu queria encontrar...

“Nosso tempo, sem dúvida, prefere a imagem à coisa, a representação à realidade, a aparência ao ser. O que é sagrado não passa de ilusão, pois a verdade está no profano. Ou seja, à medida que decresce a verdade a ilusão aumenta, e o sagrado cresce a seus olhos de forma que o cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado.”

Guy Debord discorre sobre as transformações das relações sociais que nos proporciona criminoso desgraçado filho da puta estraçalhar Mércia Nakashima...

Adotada por minha consciência culpada pela covardia por não reagir violentamente...

Contra babaca bandido da desenvoltura de um verme Mizael Bispo de Souza que agora passou a sorrir para câmeras como um BBB repugnante a adorar sua exposição maldita...

Não vou cansá-los...

Talvez hoje eu esteja escrevendo mais para mim mesmo...

Quase nunca faço...

Mas é ótimo...

Embora...

Ninguém irá ler até o final...

Nâo estou nem aí...

Mas, para quem acha que repito os mesmos ideais cansativamente esvoaçados ao léu, reproduzo:

“As idéias se aperfeiçoam. O sentido das palavras também. O plagiato é necessário. O avanço implica-o. Ele acerca-se estreitamente da frase de um autor, serve-se das suas expressões, suprime uma idéia falsa, substitui-a pela idéia justa...”

Leiam Jean Baudrillard e Guy Debord...

Eu?

Almejo plagiar gênios atualizando suas idéias justas...

Remexendo a revolta que se recusa dormir...

Acho que vou até a praia ver o dia amanhecer...

O mar me acalma!




Jorge Schweitzer







sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Quando o amor se vai...

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- Schweitzer, não tenho mais visto você com ela...

- É, estou dando um tempo..

- Vocês só andavam grudados, pra cima e pra baixo..

- É, enjoou..

- Duvido, você é doido por ela..

- Não sei, não sei..

- Também ela é muito bonita, com todo respeito, chama muito atenção..

- Já foi mais...

- Ninguém deixa de gostar sem motivos..

- Dizem que a gente ama as qualidades, mas se apaixona pelos defeitos... Menos eu..

- Mas, ela não tem defeitos..

- Ela anda bebendo muito..

- Xiiiiiiiii! Não acredito, outra que bebe... Você não dá sorte... Que karma, mermão...

- Pois é.... Deu prá beber direto, fiquei puto...

- Excesso é fódegas mesmo..

- Se não bastasse isto, sai pela rua fazendo o maior esporro...

- Isto eu não tinha percebido...

- Sabe que sou muito ciumento... Schweitzer é Schweitzer...

- Sei, sei..

- Mas, não tomo cuidado de ficar vigiando... Deixo até minha chave com ela... Quando elas passam dos limites não tem como freiar...

- Já tinha reparado; ia até te avisar para não deixá-la solta..

- Na verdade, soube que o porteiro do prédio saiu com ela numa madrugada aqui em Copacabana..

- Não acredito, puta que o pariu..

- Pois é..

- Deus do céu..

- Só não dei uns tiros no puto porque tinha carro da policia ali na esquina da Anita Garibaldi...

- E ela, e ela?

- Parece que o ‘paraíba’ a tratou legal e não chegou a comprometer nada; senão eu nem iria nunca mais montar nela...

- Vai continuar com ela?

- Não!

- Vai passar pra frente?

- Vou!

- Vai ser fácil se desfazer, ela está inteirona e até a rapaziada aqui da rua já está de olho nela, faz tempo..

- É, já me falaram..

- Quer quanto?

- Não sei! Motocicleta com documentos em dia, sem multas, único dono e bem cuidada vale um bráu..

- Depois vai comprar outra?

- Não, chega de motos; já passei da idade e agora tem que andar de capacete senão é multa na certa... Tô fora..

- Quanto decidir me avisa..

- Okay!



Jorge Schweitzer






quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Atrás do Abandono...

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Você já folheou um coração espancado?

Acordado em desalinho?

Em processo de penumbra do abandono?

Como um riscar endurecido no cimento?

Como lamber a ponta dos dedos sujos de giz?

Como escovar dentes esmaltados com carvão úmido?

Como fogueira largando fumaça?

Como enfermo fora de órbita?

Como selvagem descompromissado com a civilização?

Como uma maldição em crise?

E deu-lhe um abraço aconchegante, sem lhe perguntar nada?

Absolutamente nada?




Jorge Schweitzer


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PS: Antes que alguém pense titica: estou transferindo alguns textos do Overmundo prá cá...
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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Asas Partidas...

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Fala Jorge,

Encontrei um texto teu de setembro de 2009 que me fez refletir um pouco sobre como nos últimos tempos raramente consigo me emocionar com alguma coisa que leio ou vejo na televisão. Os assassinatos de Mercia e Eliza e as balas perdidas que alcançam crianças inocentes já viraram parte da nossa rotina e criaram "defesas" . Esse teu texto foi provavelmente a útlima vez que essas "defesas" emocionais foram rompidas...Não vou te confessar que as da alma também...Nunca...

Forte abraço!

Marcos Ferreira



Por vezes escrevo textos longos à noite e não tenho coragem de postar pela manhã...

Ou reescrevo cortando onde poderia estar invadindo realidades alheias ou parecendo estar a vender imagem de 'bonzinho' que realmente não possuo, num discurso hipócrita...

Deixo de contar fatos até curiosos seguindo esta auto-censura...

Vou tentar novamente, agora à noite, a testar minha covardia da manhã...


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Nesta semana apanhei uma senhora na frente da ABBR no Jardim Botânico...

Seu filho estava numa pequena cadeira de rodas para crianças...

Teve dificuldades de colocar a criança no banco de trás do carro...

Amarrei o resto da cadeira que não cabe inteira no porta malas...

Fomos conversando...

Ela é esposa de porteiro de um prédio em Laranjeiras...

O menino tem 9 anos e não enxerga...

Mas gosta de escutar TV e rádio...

Quase não fala...


Não anda...

Frequenta a escola da ABBR de segunda à sexta, entre meio dia e três horas da tarde...

Está evoluindo...

O menino veste uma calça estiloza com bolsos ao lado e tênis caprichados...

Sua camiseta da escola está impecavelmente limpa...

Apesar de todas dificuldades aparentes é tratado como se tivesse discernimento sobre auto-estima...

O menino não entende nada em sua volta, mas está cercado de esmero e carinho...

Um congestionamento monstruoso no Túnel Rebouças, após um carro enguiçar na primeira galeria, torna nossa viagem mais longa...

A mãe do menino fala sobre seus problemas como em desabafo sem demonstrar piedade...

Diariamente pega dois ônibus até o Jardim Botânico e depois na volta...

Difícil colocar o menino no ônibus e depois a cadeira...

Para desembarcar, igual...

Normalmente alguém aparece para ajudar...

Noutras, as pessoas se aborrecem por estarem tendo suas viagens atrapalhadas pela situação...

Um médico deu esperanças de cura...

Outro condenou-o por lançar falsas expectativas...

O atendimento da ABBR tem sido legal e vê evolução no sono do menino...

O menino tenta batucar no encosto de cabeça do banco à sua frente...

É repreendido...

Peço que o deixe ficar à vontade...

Ligo o rádio...

O menino fala:

- Nativa!

A mãe explica que ele adora a Rádio Nativa, forró, funk e/ou qualquer som...

Aproximo minha mão e ele segura meus dedos...

Toca uma música do Caetano...

Ele acalma...

Penso em me oferecer para transportá-los diariamente para desfrutar o conforto que nem me ligo o quanto pode ser importante para outros que não possuam...

Fico constrangido...

Para não parecer invasivo, imagino me oferecer fazer o percurso somente duas vezes na semana já que às quartas seu esposo está de folga e pode ajudar no percurso de ônibus...

Daí me surge a idéia que o tal marido porteiro poderia imaginar, ciumento, maldade da minha boa-fé...

Pois é...

O mundo atual está povoado por tantos pilantras que fica até difícil demonstrar solidariedade sincera...

A nova moral de nossa pátria amada Brasil nos delegou exemplos clássicos de cada um por si e Deus utilizado como argumento bíblico para tungar desavisados...

A corrida chega ao final...

A mãe pede ao menino que não chore...

Por quê?

Ele adora andar de carro com ar condionado gelado e som do rádio...

Ao retirar a cadeira de rodas da mala prendo meu dedo no exato local que já havia sangrado num corte - que disfarcei cobrindo com uma flanela quando acomodei a cadeira na mala - e volta a sangrar...

- O senhor está machucado?

- Não, é bobagem!

Me entrega vinte reais exatos que o taxímetro marcava 19,90...

Fico sem jeito de explicar que não quero cobrar nada...

Devolvo dez reais...

- É vinte, moço...

Daí não aceito mesmo...

- Está certo, por favor...

Ela fica sem entender nada...

Não queria nada...

Só queria falar, falar...

O menino salta sem chorar...

Passo a mão em sua cabeça descabelando, de sacanagem, seu topete em despedida...

O menino levanta a cabeça e ri de olhos cerrados já sentado na cadeira de rodas...

Sento ao volante...

Lembro da nova lógica filosofal individualista que estão nos incutindo deformando nossa formação...

Dou uma porrada no painel, nem sei por quê...

A ponta do meu dedo sangra o parabrisa e painel de vermelho...

Não vou lhes confessar que a alma também...

Nunca...




Jorge Schweitzer




quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Muito além do Paralelo Trinta...

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Nossos amores nunca vão embora definitivamente...

Eles permanecem para sempre, mesmo sem sua presença física...

Por vezes não o vemos mais, mas não o perdemos...

Continuamos com as mesmas sensações de prazer mesmo sem poder tocá-lo...

Como o vento que remexe seus lindos cabelos loiros com a mesma delicadeza daquela mão aquecida na cuia de chimarrão com a chaleira ao fogo...

Como o Minuano, fazendo curva nas coxilhas, assovia sons melodiosos que somente você e ele conseguiam traduzir...

Como o eco daquela gargalhada trocada na sombra de um cinamomo na frente de uma casa branca numa onda de carinho...

Como uma janela veneziana verde aberta para a noite estrelada de Cruzeiro do Sul em comunicação direta com a paisagem em preto e branco que ele lhe ensinou a colorir...

Como a exuberância do Lago Negro em ruidoso silêncio depois de uma chuvarada inteira...

Pôs bueno...

Não fique triste, embora com o coração cortado pela lâmina cruel da separação...

Fazer o quê?

Ele tem que ir embora...

Mas ficarão suas frases, seus longos silêncios, seus conselhos largos e suas justas pegadas...

Para sempre...



Jorge Schweitzer





PS: Ontem recuperei mais este texto que fiz para uma amiga quando seu pai faleceu.. O Lago Negro citado fica em Gramado, onde ela mora, assim como suas referências da casa branca citada e do vento Minuano... Paralelo Trinta é a linha demarcatória que passa acima da região... Ah! Sim... A moça é feliz proprietária de uma aeronave, razão pela qual sempre brinquei por aqui que mulher tem que ser e ter avião...



terça-feira, 3 de agosto de 2010

Paixão Indelével...

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O amor é cíclico...

Tempos em tempos necessitamos nos apaixonar para darmos vazão à nossa existência...

Como vocês sabem:

Estou amando platônicamente uma mulher com diferença de trinta anos de idade...

Eu, possuo caducos 55 anos estradeiros...

Ela, 85 invernais primaveras...

Ela é mais ou menos como a Feiticeira...

Não aquela do Luciano Huck, esposo da Angélica vou de táxi...

Feiticeira mesmo!

Com direito a verruga na ponta do nariz...

Mas, tá inteirona...

É tipo assim, um automóvel reluzente do Clube do Carro Antigo do amigo Sérgio de Pindamonhangaba...

Sabem o que mais me fascina na mademoiselle (putz, quase falo o nome da citada senhora)?

Ela tem um maravilhoso olhar levemente estrábico e carinha angelical; providenciada por cremes da Avon que compra, todos, só para ajudar sua vizinha xarope que bate em sua porta com aquela revistinha colorida...

Meu maior temor é que resolva usar perfumes da Jequiti...

Daí eu caio fora para sempre...

Então?

Só que acho que não vai dar em nada...

Para continuarmos negociando, solicitei declaração de sanidade mental de seu psicanalista, além de escritura dos três apartamentos de 500 metros quadrados que ela possui entre a Rua Rita Ludolf e o Posto 10...

Até agora, necas...

Porém, ah, porém...

Sabem por que, meus caros amigos fofoqueiros e amigas ciumentas que ficam acendendo vela de encruzilhada para dar chabú minha intrépida incursão pelo mundo de madames da terceira idade?

A dona adora me botar ciúme...

E eu, entro na pilha...

Vejam só o que ela me contou:

- Ontem apanhei um táxi!

- Hum...

- O taxista era muito legal. Muito meeesmo. Culto, bonito, educado, um amor...

- Hum...

- Um AMOR! Escutou ou tá surdo?

- Hum...

- Ele tem duas faculdades e logo largará o táxi, assim que acabar a construção de seu hotel...

Putz, lembrei daquele negócio do Lula que fez quatro faculdades e só desistiu na quinta ao acabar o cimento...

Vejam só, um empresário hoteleiro que dirige táxi é tão inacreditável que ela deveria ter ligado o desconfiômetro junto com o taxímetro alterado...

Só faltou minha amada informar que o taxista era proprietário do Copacabana Palace e do Fasano e estava no rolé só de onda...

Como fiquei desdenhando o chouffer virtual, ela desferiu o golpe Muay Thai definitivo:

- Além do mais, o tal taxista tem só 31 anos! Trinta e um, escutou bem?

- Hum...

Mulher é terrível mesmo...

Pega pesado...

Não respeita sequer meus ralos cabelos brancos...

Deixei passar, deglutindo em seco...

Como todo ser que surra esquece e quem apanha fica marcado, deixei passar batido...

Muitas luas após...

A idosa, que ainda insisto amar, me recordou que faz aniversário no mesmo dia da Angelina Jolie...

Sabem o que cravei, aproveitando a deixa?

- Legal, se você tivesse os lábios da Angelina Jolie eu tratava de sequestrar você para sempre!

Até o momento ela nada respondeu...

Nada declarou, nada mais lhe foi perguntado...

Nem estou aborrecido...

Perdi para sempre a mulher...

Mas me vinguei...

Portanto:

Estou aberto, agora, à negociações com senhoras acima de 93 anos...

Mulher ótima tem que gostar de bingo e bailão com o partner conduzindo o andador em passos de tango...

A fila anda...

O andador, idem...




Jorge Schweitzer