Neste último domingo, decidi pagar para ver e fui conferir o Festejo Carioca da Cerveja, que movimentou a histórica Rua da Carioca. Cheguei por volta das 15h, exatamente no instante em que uma banda subia ao palco para começar o som.
A primeira surpresa foi a quantidade de pessoas. Mesmo sabendo que o Rio de Janeiro tem esse talento múltiplo para promover encontros bacanas, plurais e gratuitos espalhados por toda a cidade aos domingos — o que sempre pulveriza o público —, a Rua da Carioca estava genuinamente cheia.
Muitas barraquinhas espalhadas, os novos bares que estão apostando na região totalmente abertos e, o mais legal, os comércios antigos e rústicos também aproveitando a movimentação para faturar e dar vida ao espaço.
Até a tradicional livraria da rua estava aberta e de portas lotadas, mostrando que o perfil do público que frequenta esses eventos consome e valoriza a cultura local.
Por outro lado, o passeio também traz reflexões sobre o patrimônio do nosso Centro.
Ao passar pelo Cine Íris, notei as portas fechadas. É um lugar fantástico, com uma arquitetura belíssima e uma belíssima tradição familiar na administração, mas que claramente precisa se adequar aos novos tempos. Falando abertamente, hoje existe até um certo constrangimento e temor das pessoas em usar aquelas poltronas antigas. O espaço clama por uma reestruturação geral para recuperar o prestígio que merece e dialogar com o público atual.
No balanço geral, a experiência quebrou meus preconceitos. Eu confesso que tinha lá minhas reservas sobre o real potencial de retomada daquela área, mas saí de lá convencido: a Rua da Carioca tem tudo para se consolidar como um grande point cultural e de lazer no Rio de Janeiro.
A revitalização é real e a energia do domingo provou isso.
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