
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
A francesa Emile no ‘Táxi em Movimento’...






Pôs bueno...
Já ia quase esquecendo de narrar...
Nesta semana uma moça francesa apanhou meu Táxi...
A caminho do Aeroporto Internacional...
Emile é professora da Aliança Francesa...
E bonita...
Na realidade, linda...
Morena de olhos verdes tão intensos que não consigo imaginar como algum aluno consiga prestar atenção nas aulas...
A não ser que – confirmando a lenda – somente baitolas resolvam aprender a fazer biquinho para emoldurar a pronúncia...
Emile trabalha em São Luiz do Maranhão...
Há dois anos...
Ficará mais um ano e meio por lá até decidir por outro país...
Provavelmente a Itália será seu próximo destino; onde mora seu sortudo namorado...
Veio ao Rio de Janeiro para participar do encontro com o presidente Sarkozy e a primeira dama Carla Bruni...
Franceses, que escolheram o Brasil para trabalhar, foram os convidados do evento que teve apresentação de Charles Aznavour...
Aznavour tem oitenta e dois anos e um talento e vitalidade que o tempo tratou de preservar tal um vinho de safra incomum...
Emile ficou emocionada de assistir ao vivo, pela primeira vez, um mito que consegue expressar com contida coreografia de mãos e uma voz suave nossos sentimentos mais simples com emoção universal...
A bela Emile fala um português perfeito mas acredita que pode melhorar...
Comentamos sobre Carla Bruni, óbvio...
Me informou que o pai de Carla Bruni é brasileiro...
Na realidade é italiano naturalizado brasileiro, acho...
E me contou um fato curioso, após eu citar que Sarkozi passou mensagem escrita por celular para sua esposa anterior no dia do casamento com Carla Bruni...
Segundo os periódicos de fofocas: Sarkozy declarava que cancelaria o casamento com Carla Bruni caso Cecília resolvesse reatar...
Sarkozi não desmente mas está processando a companhia telefônia por quebra de sigilo...
Carla Bruni ficou uma arara, lógico...
O fato curioso?
Sarkozy era prefeito de uma pequena cidade francesa...
O prefeito realiza cerimônias civis de casamento, ao contrário do Brasil onde ocorre com um juíz...
Conheceu Cecília na cerimônia de seu casamento com um conhecido apresentador de TV francesa na qual Sarkozy ministrava o sacramento civil...
Sarkozy apaixonou-se por Cecília...
Roubou a noiva logo após...
O apresentador ficou chupando o dedo...
Um escândalo em moldes franceses...
Se fosse no Brasil acabaria em legítima defesa da honra ultrajada lavada a bala ou peixeira...
Francês é mais brazè...
Cecília foi flagrada - enquanto casada com o político - em colóquio com garotão sarado e Sarkoziy a perdoou e na posse Cecília estava lá toda primeira dama napoleônica...
Carla Bruni é uma versão remoçada da Cecília que Sarkozy perdoaria sem pestanejar e reconduziria ao posto em troca pela cantora a qualquer momento que resolvesse pelo retorno ao lar presidencial...
Emile acha que Sarkozy lembra um inglês mal resolvido...
Eu acredito que Sarkozy é um francês Peter Pan que se recusa admitir que o tempo é o senhor da razão...
Jorge Schweitzer
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Natal no "Taxi em Movimento"...


Muitos passageiros com bandejas envoltas em papel laminado...
Muitos maridos já bêbados e contrariados a caminho da casa da sogra com a esposa rememorando ‘trata bem minha mãe”...
Muitos solitários torcendo que tudo acabe rápido...
Muitos amigos ocultos devolvendo presentes secretos de 20 reais...
Muita comida incompatível com tão pouco tempo para saborear...
Muito vinho vagabundo que amanhã nos darão a resposta...
Muita tentativa falsa de desejar feliz natal a quem odiamos durante 364 dias...
Meu celular toca...
Ligação de longe...
Muito longe...
Me acompanha escondidinha...
Cruzo a Tijuca...
Balas traçantes iluminam o céu de garoa...
Vindas do Turano...
Feliz Natal...
Jorge Schweitzer
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
A Noite de Natal e Meu Caminhãozinho de Madeira...
Ainda conservo hábitos de menino...
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Tenho o destemor de toda criança ou adolescente que se acha o Super ou Spider Man e que tudo de ruim e desastroso só acontece com o próximo...
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Como a coragem é irmã gêmea do fraquejar...
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Preservo medos de monstros imaginários que teimam habitar o vão abaixo da minha cama...
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Por vezes eles arrojam espetar seus chifres pontudos e medonhos em meu colchão e me proporcionam madrugadas insones intermináveis todo coberto mesmo com um calor senegalêz...
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Nas noites calmas em que eles vão atacar outras camas de tão medrosos quanto eu...
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Programo meu sonhos antes de dormir...
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Acreditem...
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Coisa de criança sem nada na caixola...
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Consigo imaginar no que vou sonhar e realizo...
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Sonho seguidamente que sei voar...
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Sobrevôo Copacabana inteira...
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Vou até o Posto 6...
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Passo sobre o Forte, sobre o Marimbás...
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Divido espaço azul com gaivotas nervosas a mergulhar bicudas sobre barcos de pescadores com suas redes abarrotadas pendendo ao lado esquerdo quase emborcando a nau...
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Dou rasante intrépido sobre pedras do Arpoador...
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Retorno flanando à Barata Ribeiro desviando dos semáforos suspensos abaixo...
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Acordo...
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Bebo uma água da moringa que conservo desde pequeno ao lado da cama, pôs no Rio Grande o frio desaconselhava levantar debaixo dos acolchoados pesados para saciar sedes noturnas além de correr risco de esbarrar no corredor com algum avô morto...
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Volto a realidade da escuridão quente da cama...
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Sonho nadar do Posto quatro até a África localizada na linha do horizonte...
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Ou cavar na areia até o Japão...
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Já sonhei com todas as mulheres desejáveis e tive pesadelos com as indesejáveis...
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Mas nesta Noite de Natal esses ímpetos selvagens naturais ficam aquietados...
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Ainda espero um singelo caminhãozinho de madeira tombadeira depositado ao lado do chinelo na noite de 24 para 25...
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De preferência afastado dos monstros adormecidos abaixo do estrado...
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Aguardarei que o vulto no quarto suma cerrando a porta encobrindo a luz do corredor que escurecerá como o sleep off zerado da TV...
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Depois vou segurar, abaixo de minha oca de lençóis, entre os dentes minha lanterna do facho do celular enquanto desembrulho o presente que irá me acompanhar a cada segundo do ano que vem...
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Feliz Natal...
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Jorge Schweitzer
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Um Silente Peru Bêbado - no Crepúsculo do Natal Tupiniquim - a contemplar Roberto Carlos cantando Bossa Nova...



Apanhei, ontem, um passageiro que conhece os meandros de refinarias e postos de combustíveis do Rio de Janeiro...
Sabe mesmo...
Acabava de sair de uma agência para resolver problemas de seus negócios...
Apanhei-o em frente...
Conhece o Poder em minúcias...
Deu nome aos bois e intermediários dos bois...
Sem dúvidas não estava blefando...
Citei alguns episódios e ele sabia datas e locais exatos...
Citei dois nomes e ele acertou na mosca as atividades e interesses...
Pouquíssimas pessoas sabem tantos detalhes nada fantasiosos...
Falou de valores destes lobbies e maneira como eram quitados...
Quase caí de costas com as somas que envolvem as negociações...
É negócio para ficar rico...
São mega-senas acumuladas...
Não pediu segredo após eu comentar de meu blog...
Não posso nem devo dar estes detalhes...
A imprensa investigativa tem condições de levantar este mercado...
CPIs não resolvem...
Existem políticos que são empresários do ramo...
Querem que eu dê o nome de um sequer?
Brazão...
O corporativismo impera solene e silente como um Peru bêbado no crepúsculo da véspera de Natal a escutar Roberto Carlos cantando bossa nova ao lado do Caetano Veloso...
Procurei saber se ele gravaria somente o áudio de uma entrevista onde eu focalizaria a rua enquanto rolasse a conversa no “Táxi em Movimento” e ele prestaria um serviço a Nação dando um tapa na bunda dos desafetos...
Não concordou...
Somente desvendaremos estes enigmas quando houverem interesses contrariados...
Máfias só são descobertas através de delação premiada judicial quando o braço da Lei alcança um peixe do cardume...
Enquanto isto...
O silêncio...
O triste silêncio dos coniventes...
Jorge Schweitzer
O primeiro Natal sem o telefonema do Amigo...

Um imenso brasileiro...
Tive o privilégio de conviver com um homem incomum...
Uma referência pessoal que opinava sobre minhas brigas pessoais e ideológicas que muitas vezes não compactuava...
Certa vez meu filho adolescente fez um comentário curioso:
- Pai, nunca vi você escutar alguém com tanta atenção sem interromper...
Era o mesmo respeito que eu devolvia ao amigo que me ouvia atento e acompanhava o que eu escrevia e guardava em uma pasta de sua escrivaninha numa admiração que eu nunca alcancei...
Coronel Luiz Gonzaga de Moura foi um desses heróis raros que nossa Pátria não tem competência de reverenciar...
Durante nossas conversas me contou detalhes de sua estada na Itália – onde comandou um pelotão de reconhecimento (a tropa que avança abrindo caminho desbravando o desconhecido; onde teve o desgosto de abraçar diversas metades de corpos de seus comandados trucidados por minas terrestres) – sem nunca recuar...
Cel Moura recusava-se o título de ‘herói’...
Achava que apenas cumpria sua missão necessária...
Um homem incomum...
Meu amigo...
Achava que jamais morreria...
Somente me convenci quando estive em sua missa de sétimo dia na pequena capela da rua do final do Leme, perto de onde morava...
Sua filha, a jornalista Leila Richers, leu – ao lado do altar – uma mensagem com a voz trêmula de emoção a despedida ao Velho Coronel...
Difícil acreditar que alguém tão grande tenha a incompetência de morrer...
Coronel Moura brincava sobre a morte...
Não queria ficar no Mausoléu da FEB...
Havia adquirido uma última pousada no Memorial do Carmo ali no Cajú...
Com vista para a baía da Guanabara...
Me mostrou o ponto exato quanto atravessávamos a Ponte Rio Niterói, retornando de Cachoeiras de Macacu depois de almoçar no Restaurante de Dona Carminha...
Comentava que ficaria eternamente olhando o Rio de Janeiro...
- Pô, Coronel, o senhor não tem medo de ser enterrado vivo?
- Claro que sim!
- Vai que o senhor não morreu ainda?
- Vou levar dois celulares no caixão...
- Ótimo!
- Se ainda estiver vivo te ligo... Por favor corre pra lá e me resgata...
- Combinado...
Não ligou...
Vida que segue...
Durante o tempo que convivemos nunca falei do quanto lhe admirava...
Aquelas idiotices de envergonhar-se de declarar nossa admiração...
Quase no final, sem saber que seria o seu final, deixei em sua portaria um texto meio constrangido pela babaquice tentando não transparecer puxa-saquismo já que éramos senhores da guerra sem lágrimas fúteis...
Coronel Moura ficou tão emocionado que quase não reconheci sua voz ao telefone logo após receber a correspondência que lhe foi retirada da mão pela família para ser xerocada como um relíquia e quando percebi a repercussão fui checar os erros grotescos de gramática que me deixou encabulado pelas barbaridades com o vocábulo mas nunca com a sinceridade...
Ufa...
Tive tempo de dizer com todas letras, em vida, o quanto o Brasil necessita de brasileiros de verdade...
O tempo me contemplou proporcionar uma façanha que Cel Moura advertiu: “você não deveria fazer isto com um homem da minha idade, é muita emoção”...
Natal é um tempo cheio de recordações...
Desculpem...
Jorge Schweitzer
Michael Nascimento no Táxi em Movimento...

Sou um entrevistador compulsivo...
Apanhei Michael – ontem por volta de 11 horas da manhã - em frente àquela academia grandona ali na Lagoa Rodrigo de Freitas...
Procuro saber preço e tal...
Comento que um dos sócios é o mesmo dono do JB...
Vamos falando sobre tudo...
Falo de meu blog para não passar por confissões que eu não possa publicar...
Michael, entre outras coisas, é ator...
Ora, vejam...
- Já fez alguma peça conhecida?
- Sim!
- Qual?
- “Graal”!
- Deu algum dinheiro, foi sucesso?
- Deu pouco dinheiro e nem foi tanto sucesso...
- Quando?
- Foi no ano de 2000, com a Companhia Ópera Seca..
- Ópera Seca?
- É uma turma de atores formada pelo Gerald Thomas...
- Quem?
- Gerald Thomas! Conhece?
- Mais ou menos...
Jorge Schweitzer
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
A Cirurgia Plástica da ministra Dilma Roussef...



A sinceridade do José Genuíno...
Os desvalidos abaixo da linha da miséria e do Viaduto da Paulo de Frontin...

Ricardo Boechat - ontem em seu programa da rádio BandNews FM - citou alguns moradores de rua que moram abaixo do Viaduto da Paulo de Frontin (Praça da Bandeira, no acesso do Túnel Rebouças em direção à Zona Sul) que havia presenciado no final da noite de domingo passado...
É uma multidão de pessoas que ficam cheirando tinner e cola em garrafinhas de plástico e uma quantidade impressionante de crianças ao lado...
Aconteceu um fato muito curioso que acabei presenciando naquele exato local, tempos atrás...
Era noite de pouca movimentação...
Existe uma agulha que bifurca entre optar pelo acesso do Túnel ou seguir pela Tijuca...
Uma Mercedez (bem que poderia ser um fusquinha, mas era uma reluzente) ficou na indecisão e bateu violentamente na divisória impossibilitado de continuar rodando...
Imediatamente o carro foi cercado pelo pessoal de rua que parecia querer saquear o veículo e seu condutor apavorado dentro...
Era tanta gente esfarrapada que parecia Mad Max...
Segui instintos como autômato...
Coloquei meu carro atrás da Mercedez...
Fui em direção do motorista encurralado embora minha vontade era sair dali e fingir que não vi nada...
Só assim ele saltou do carro meio desnorteado e apavorado por estar cercado por mendigos amedrontadores...
Não estava ferido...
Ficou aquele clima barra pesada...
Outros táxis pararam imaginando que eu havia abalroado o outro carro...
Daí aconteceu algo inusitado...
Chegou uma viatura da PM com fuzis e pistolas em punho ao ver aquela grande aglomeração...
O semblante do cidadão da Mercedez se transfigurou como por milagre...
Me arrependi depois de ver a pose prepotente do motorista acidentado após a chegada da Polícia que até comentou entre sorriso debochado que quando algum é incendiado não fazia falta...
Era outra pessoa depois de protegido pela Lei dos bons...
Posso estar equivocado...
Mas, por instantes, desejei jamais ter não permitido que a redistribuição de renda pudesse ser promovida de forma tão eficiente...
O que é alguns trocados, um celular ou um laptop para quem tem uma Mercedez último tipo e uma cama pra dormir vendo TV plasma com programação a cabo com ar condicionado splits 20 graus ao invés de um caixa de papelão abaixo do Viaduto da Paulo de Frontin?
Jorge Schweitzer
Parei para pensar...
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
A Liquidação Casas Bahia Pentecostal...






Dentre os pastores televisivos já nutri certa simpatia pelo Silas Malafaia...
Antes de Silas raspar o bigode...
Malafaia se tornou mais um...
Comprou - o que não é pecado, sequer venial - longo espaço na TV aberta...
Ora, vejam, orem...
Cede parte de seu horário, graciosamente, para o apóstolo Valdemiro Santiago praticar crime de curandeirismo inclusive (atenção Ministério Público!) utilizando crianças como coadjuvantes...
Malafaia se tornou igual outros que combalia como vilões da Fé na portas do Templos ultrajados pela ganância tal um Jesus adolescente...
Malafaia sem bigode cruza imponente as madrugadas aos berros...
Aos gritos...
Tentando despertar agnósticos que não crêem em sua parceria com Deus a providenciar milagres senão os movidos pela própria força interior que não necessita de intermediários do além...
Como um garoto propaganda da liquidação dasCasas Bahia...
Mas não está só...
A esposa do Silas Malafaia também faz suas explanações bíblicas...
O filho do Malafaia, idem...
A filha do Malafaia, não...
Sua filha é cantora...
É o nepotismo pentecostal...
Nos intervalos comerciais, Silas Malafaia vende seus livros em promoção dando como brinde o CD da filha...
E pede ajuda financeira para continuar no ar alegando que é caríssimo o espaço na Rede e que se encontra em dificuldades ‘neste mês’...
Os valores podem ser depositados a partir de R$ 30,00...
Isto para os ‘tocados’ simples...
Existe outra forma, para os iluminados, de contribuir?
A corrente do Gideão...
São valores unitários de R$ 1.000,00...
Malafaia crê possível arregimentar 500 empresários com esta disponibilidade de caixa...
Malafaia garante que não pede nada para si próprio já que vive da venda de seus livros que assegura best-sellers...
Malafaia intenta comover em seu discurso a arrecadar moedas de crentes movidos pela crença da salvação capitaneada por intermediários entre os céus e nossas agruras terrestres...
Encontra justificativas alicerçado em citações do Antigo Testamento...
Seguinte...
Deus criou todas frutas com sementes dentro...
A semente é a menor parte (algo como 10%) e não serve como alimento...
A semente deve ser plantada para gerar novos frutos...
Segundo Malafaia, existem pessoas que comem a fruta e a semente (os 90% e o restante dízimo que eu deveria lhe doar para ele continuar a me enganar na TV?)...
Acredito que se refira aos não dizimistas...
Lógico...
Não quero mais pastores na TV; quero a felicidade ocasional proporcionada de maneira surpreendente a atropelar a rotina dos desvalidos...
Me fodo todo para transgredir minha trajetória terráquea num balão de ensaio do imponderável ignorando imbecis anônimos...
Pensando nisto fiz o seguinte:
É verdade, é verdade mesmo...
Ontem de manhã um senhor idoso e todo esfarrapado pela vida de rua ficou me olhando enquanto eu abria a porta do carro...
Lhe dei um sorriso e bom dia..
Não se aproveitou de minha deixa para pedir nada...
Nada...
Ficou só observando satisfeito por tê-lo percebido abraçado a um saco preto acariciando latinhas amassadas com seu sorriso enigmático de poucos dentes...
Eu havia saído de casa com R$ 30,00 para abastecer e começar a trabalhar...
“Viajei” como qualquer um de nós pode perder o controle de suas vidas e não ter alguém que lhe devolva um afago real já que perdidos pelo destino nos tornamos excrementos da sociedade...
Peguei 20 e lhe entreguei como um dízimo:
- Almoça e pede uma cerveja bem gelada, amigo... Por favor, bem gelada, de preferência Bohemia... se tomar um Coca Cola vou ficar puto... Feliz Natal!
Virei as costas a não permitir agradecimento e fui embora sem saber sua reação...
Reparti a tal fruta do Malafaia em três e fiquei com um terço...
Sabe o que aconteceu?
Fiquei quase uma hora sem pegar um passageiro sequer...
Todos passageiros pegavam o táxi da frente ou esperavam eu passar para pegar o de trás...
Isto em pleno dezembro...
O GNV estava acabando...
Eu com dez reais...
Paro, abasteço e pago com cinco notas de dois reais...
Duro e sem troco...
Xingo todos os deuses do Malafaia...
Jorge Schweitzer
















