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domingo, 2 de janeiro de 2011

O Último Tango...

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Edgar Vivar , o Seu Barriga, esteve ontem no Programa do Ratinho...

Seu Barriga na vida real é médico...

Depois do sucesso do Chaves abandonou a medicina para se dedicar a carreira de ator...

Assisti o Edgar Seu Barriga no Programa do Ratinho...

Muito legal...

Gosto muito de todos personagens do seriado Chaves...

Na verdade eu odiava o Chaves até meu filho, então com 9 anos de idade, resolver vir morar comigo...

Como minha vida deu uma guinada maravilhosa e passei a cozinhar, lavar as minhas e as cuecas dele, participar das reuniões do colégio e alternar com escrever para o blog, não entendia a razão dele dar tamanhas gargalhadas deitado no sofá enquanto eu tentava administrar todo meu turbilhão...

Certo dia resolvi sentar para assistir o Chaves e comecei a compreender quanto aquela vila singular tinha tudo a ver com nossas vidas quando ampliamos aquele cotidiano pequeno para a extensão dos problemas similares da cidade grande emoldurada por Copacabana...

Na realidade todos outros seriados como Eu a Patroa e as Crianças; Dois Homens e Meio e Todo mundo odeia o Chris meu filho me ensinou a gostar até hoje...

Mais interessante que nossa gargalhada é tão parecida que por vezes acho que imito a dele quando ele era criança...

Mas flui...

Pos bueno...

Ontem o Ratinho pediu que o Edgar Seu Barriga deixasse seu último recado já o programa só tinha mais um minuto...

- Um minuto pode ser muito tempo... ou nada... Obrigado!

Bacana...

Logo após, Ratinho descreveu o carinho e admiração de todos que gostam do seriado Chaves...

Edgar Barriga chorou em emoção incontida...

Pediu mais um segundo para relembrar Seu Madruga que já faleceu...

A vida vai nos levando momentos e ficamos apenas com lembranças maravilhosas tatuadas na alma tal um halo indescritível como herança...

O minuto apenas que o Edgar Seu Barriga utilizou para somente dizer 'Obrigado' me rememorou um vídeo que o amigo, Dom Quixote, Sérgio me enviou logo após o Sancho Pança aqui falar - no 'Táxi em Movimento' - das coisas que deixamos de fazer por falta de tempo...

É um clipe do filme 'Perfume de Mulher' que o personagem cego do Al Pacino pega a moça para dançar um tango deslumbrante que humilha meus passos tropegos...

Por vezes me arrependo barbaridade por não haver tido a compreensão de estender meu amor com mais competência durante minha passagem...

Vou tentando consertar os equívocos numa próxima dança...

Treino quase diariamente na frente do espelho quando acordo...

Após escovar os dentes e fazer a barba, refaço coreografias óbvias...

Por horas em outros compassos...

Nem creio que serei capaz de realizar jamais todos movimentos com perfeição...

Mas...

Sou meio Seu Barriga que perdoa todos aluguéis atrasados do Madruga mas não as tortas na cara...

Quer dizer...

Em 2011 pretendo me tornar um Sem Barriga...

Me aguardem...

Quando eu quero mesmo, sou igual a predestinação do menino do passarinho da fábula...

Vocês conhecem esta história?

Depois eu conto...




Jorge Schweitzer








domingo, 21 de novembro de 2010

Janela, Basculante, Quarto de Dormir...

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Semanas atrás peguei uma passageira que chorava...

Sua senhoria pediu que se mudasse...

Estava sem rumo...

Adorava sua casa...

Cada curva de suas portas conhecia no escuro...

Cada interruptor...

Cada janela e basculante...

Ali passou grandes momentos...

Sua bicicleta na garagem...

Sua planta na janela...

A cortina esvoaçante...

Os sons da sua casa que se modificavam quando o sol batia forte...

O cheiro de maresia que corroia placas de seus aparelhos eletrônicos...

Seu endereço...

Suas contas na caixa da portaria...

Suas esquinas...

O moço que trançava assentos de cadeiras debaixo da marquise...

Seu jornaleiro...

Seus amigos da lanchonete...

O café pingado com joelho a escorrer o queijo na manhã...

Seu jornal aberto na primeira desgraça do dia anterior...

O vento que batia forte nas ruas transversais da praia...

O caminhão barulhento da Comlurb atravancando a rua...

O mendigo a dormir sobre o papelão ao lado da lavanderia...

Os pedintes chatos ao lado do caixa eletrônico do Bradesco...

Os catadores de latinhas que reviravam o lixo da entrada de seu prédio...

O cego que dava esmolas eventuais para purgar suas culpas...

O menino pés descalço que ela achava que iria surrupiar seu celular que bate fotos...

Suas referências...

Até já havia se acostumado com os porteiros pozudos sentados na portaria como executivos...

Lhe determinavam regras de janeiro a novembro...

Dezembro, carregavam suas sacolas...

Descreveu a tapioca do ambulante com chocolate...

O churrasquinho da madrugada com cerveja em lata skol...

O congestionamento infernal e saudoso na sua porta...

Os cachorros pit-bull sem focinheiras...

Queria continuar por ali...

Confessou ser igual gato...

Chorou...

Não queria mudar...

Fiquei sem palavras...

Sou igual cachorro vadio...


Adoro mudanças...

Só me basta um quarto de dormir...





Jorge Schweitzer














quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Deus e eu...

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Não sei...

Aconteceu novamente...

Parece praga...

Sábado passado, 16 horas, sol escaldante...

Um homem está deitado em posição fetal no meio da Avenida Chile em frente a estátua do Papa João Paulo II na Catedral...

Carros e ônibus aceleram na avenida ampla e desimpedida...

Já bem próximo desviam...

Salto do carro...

Tem aspecto de morador de rua, algo em torno de 40 anos, branco...

Seu joelho direito está ralado e o lóbulo de sua orelha esquerda sangra...

Peço para que saia dali...

Seu olhar é perdido...

Coloca a língua prá fora várias vezes como um lagarto...

Cheira muito mal...

Não tem cheiro de bebida...

Tem cheiro de fezes...

Penso em pegá-lo no colo mas percebo que evacuou e sua bermuda está empapada no asfalto...

Coloco minhas mãos por baixo de seus braços e arrasto até o meio-fio enquanto automóveis dificultam minha ação como se quisessem nos acertar...

Grito palavrões para os motoristas e para Deus que jamais me escuta...

Recordo que sempre penso em carregar no carro luvas cirúrgicas para estas ocasiões...

Só lembro quando me envolvo em novo episódio...

Nos dois anteriores, exatamente iguais (um menino de rua na São Clemente em frente ao Colégio Santo Inácio e um homem negro no Túnel Frei Caneca próximo ao jornal O DIA), tive sucesso ao subornar com uns trocados e fazê-los obedecer...

Desta vez o homem não esboçou reação ao lhe mostrar dinheiro...

Falo, falo, falo...

Ele não percebe minha presença...

Vou embora...

Antes de segurar no volante lavo as mãos com Veja multi-ação que carrego na mala...

Dou uma volta no quarteirão...

Ele continua no mesmo lugar que o deixei...

Pego uma passageiro em frente a Petrobrás à caminho do Shopping Tijuca...

Passamos ao lado do homem de rua...

Conto o que aconteceu...

Fico a imaginar que deveria ter feito mais...

Ligado para algum socorro para recolhê-lo...

Não fiz...

Tenho que tocar minha vida...

Todos temos...

Somos hipócritas...

Enquanto escrevo fico pensando se este homem ainda estará vivo...

Onde está neste momento?

Debaixo de algum viaduto, num albergue ou no necrotério?

Por quê Deus não socorre este homem?

Por quê ele não sabe mais rezar?

Por quê ele não lê aquele biblão chato?

O que este homem fez para ser condenado àquele destino?

Por quê Deus contempla com conforto, sorte, profissão, agasalho e comida farta alguns mentirosos que lhe enviam mensagens oportunistas e condena a miséria ultrajante quem não tem mais nem trajes descentes para adentrar um templo picareta?

Qual a lógica?

Qual o senso utilizado para massacrar seres humanos seus filhos que foram sendo encurralados pela falta de oportunidades até chegarem ao limite degradante?

Este infeliz deve ter optado por ser atropelado para acabar com seu calvário...

Está doente...

De corpo e alma...

Não tem família; não tem amigos; não tem rumo...

Não tem volta...

Deus irá matá-lo, se já não O fez...

E possivelmente enviá-lo ao Inferno...

Deus é Fiel?

Não sei...



Jorge Schweitzer





PS: O texto acima vou escrito em março de 2008 no blog que foi censurado pela Microsoft... Encontrei a reprodução no
http://voceachacerto.blogspot.com/2008_03_01_archive.html...

















sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O Corpo em Convulsão...

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ESPASMOS LEVES ESTREMECEM O CORPO PARA LOGO APÓS TRANSFORMAREM-SE EM VIOLENTA E IMPRESSIONANTE CONVULSÃO...

Pressiono seus joelhos em direção ao colchão, enquanto o médico e dois paramédicos têm dificuldades em segurar o resto do corpo que se debate derrubando o soro e o aparelho afixado na ponta de um de seus dedos da mão…

Nunca tinha presenciado uma cena daquelas que não em filmes…

O menino espuma e vomita…

O médico acomoda-o de lado para não se afogar…

Não dá tempo de lembrar o quanto fico nauseado com vômitos alheios…

A avó dele fica ao lado observando nervosa rezando...

Peço para que ela vá à sala, pois certamente ele já ficará legal logo; garanto convicto...

Uma convulsão, mais forte, nos pega desprevinidos derrubando a mala de medicamentos aberta sobre a cama de casal…

O médico administra no soro duas doses de não sei o quê…

Torço para que a numeração do aparelho colocado em seu dedo abaixe dos oscilantes 65 marcados…

- Pô, não diminui…

- Tem é que chegar aos 90, pelo menos…
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Inverto minha equivocada torcida e procuro aumentar com o poder de minha inexistente força mental…

Num aparelho parecido com celular azul antigo da Claro uma lâmina com sangue marca 35…

- Tá vendo; não é hiper, é hipo… A avó falou que ele parou com o Gardenal também..

O diagnóstico é tão esclarecedor para mim quanto diferenciar dromedário de camêlo…


Novas doses de poções alquimistas…

Ele acalma…

Os paramédicos descem para posicionarem a ambulância na entrada da garagem do prédio...

O médico continua com a ponta do dedo na jugular medindo:

- Ajuda Marcelo, tava na gandaia ontem né?

Dá beliscões fortes abaixo de seu mamilo e tapas no rosto…

Em um momento empurra o dedo abaixo do queixo enquanto abre seus dentes cerrados…

Por um breve instante fico a observar aquele moço de branco com admiração...
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Eu nunca poderia ter a grandeza e o desprendimento de um médico…

Temo que retorne outra convulsão que me apavore…

O aparelho marca 85…

A maca chega na sala…

Colocam um tubo que vai até sua garganta e a máscara de oxigênio encima...

93…

Seu corpo reage; começa a dar sinais de desconforto…

A ambulância sai barulhenta da Constante Ramos em direção ao CTI do Prontocor da Conde Bonfim, único local disponível de CTI…

Estou liberado…


Um amigo me liga no celular pedindo para ajudar seu sobrinho que está passando mal na casa de sua mãe e ele fora do Rio de Janeiro…

Ao chegar constato que ele está desacordado…

Coloco sua bermuda, e o levanto sobre minhas costas para carregá-lo até o taxi no térreo…

Desisto pois ele, apesar de adolescente, tem mais que minha altura e pelo menos oitenta quilos com físico de praticante de halterofilismo...

Ligo para a Amil que me dá previsão de 40 minutos…

Suplico, pois o menino está prestes a entrar em coma…

A atendente procura ajudar e consegue atendimento para 15 minutos; chegam em 10…




E eu que havia prometido para meu filho - antes de sair de casa - não meter-me em nenhuma confusão nesta Segunda-Feira 06 de fevereiro de 2006...



Jorge Schweitzer






PS: Ainda pouco recebi a notícia que Marcelo morreu enquanto dormia... Deixou a noiva, que iria casar-se mês que vem, grávida...

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Este texto é antigo, assim como a morte do Marcelo; estou repostando por razão que depois explico prá vocês...