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sábado, 24 de julho de 2010

17 anos da Chacina da Candelária...

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(texto postado em 2006)


Fazem 13 anos...

Eu morava na Rua da Glória, número quatro...

Passava da meia noite...

Saio de casa...

Pego a moto...

Sigo para o prédio da Esso, na Presidente Wilson...

Em frente ao MAM carros de polícia e reportagem...

Atravesso os canteiros escuros iluminados pelo vermelho alternado dos bigurrilhos...

Vejo dois corpos ainda descobertos no gramado...

Wagner agoniza no posto de gasolina...


No meio dos curiosos corre a notícia que existem outros corpos na Candelária...

Acreditava impossível uma notícia daquelas...

Volto para casa...

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Na TV acompanho a confirmação da Chacina...

Retorno à rua...

A Candelária está tomada de carros de polícia e reportagem...

Era inacreditável...

Dantesco...


...


Dois anos atrás...

Pego uma passageira em frente ao antigo Cinema Comodoro que virou Igreja Internacional da Graça...

Uma senhora e a filha com um bolo na bandeja...

Destino: Batalhão de Choque da PM...

Ela informa que vai visitar o filho preso...

- Mas certamente ele sairá logo...

- Muito difícil, moço...

- Quantos anos ele deve?

- 149 anos...

- O quê? O que ele aprontou?

- Candelária! Encontraram balas da arma dele em quase todos os corpos. Mas acho que emprestou a arma prô Índio atirar... O Wagner nem precisou reconhecê-lo, só falou na delegacia: "não te avisei que a gente iria se encontrar de novo..."

Ela me conta detalhes do crime que são idênticos aos mostrados no Linha Direta de ontem...

O alvo principal era Come-Gato, mas na hora perdeu-se o controle da situação, um deles disparava gritando em transe com armas nas duas mãos..

Um dos sobreviventes acabou protagonista do ônibus 174, anos depois, em que morreu uma passageira e ele foi estrangulado dentro da viatura policial...

Cruzamos os portões...

Ela identifica-se com um cartão magnético verde na parte da frente...

A guarda da portaria principal estava reforçada; o traficante Sussuquinha acabara de fugir dali naquele mês...

Numa quadra de futebol de salão cercada por alambrado ele aguarda a mãe com uma bíblia abaixo do braço...

Ele nos acena de longe...

- O senhor que conhecê-lo?

- Não!


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Jorge Schweitzer


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