







Só existia um único cartaz improvisado no enterro do menino fuzilado na Vila Cruzeiro...
Só um...
Abrãao da Silva Maximiliano, 15 anos, é um número sepultado...
A ONG Rio de Paz nao se interessou saber da ocorrencia...
Nenhum de nós ousou cobrar investigação justa...
O Táxi em Movimento estava entretido por tiros a esmo das coxudas do Adriano...
Globo, Band, Record sapatearam na dança do contente ao largo...
Nem se ouve falar do ongueiro Antonio Carlos Costa, teólogo brasileiro de orientação calvinista...
Nem Jorge Schweitzer está por lá com seus cartazes improvisados...
Não interessa...
Não dá mídia...
Não 'agrega valores' como propaga Rio de Paz em sua página...
Abraão da Silva Maximiliano é cadáver sem pedigree...
Sub Secretaria de Direitos Humanos do RJ serve somente como sofá a aboletar políticos falidos nas urnas que não passaram no teste do escrutinio diretor...
Cachorro yorkshire sacrificado tem melhor comoção nacional...
O menino negro e pobre Abraão da Vila Cruzeiro sequer merece profunda investigação para que o Estado seja responsabilizado por sua morte...
Delegacias estão ocupadas em escarafunchar piriguetes na porta da casa de show que o jogador Edmundo era sócio...
Prender apontadores de jogo do bicho na esquina de Ipanema para satisfazer o ego de Beltrame...
Descer de rapel do helicóptero sobre a antiga cobertura do Roberto Marinho que agora do Anízio, que a Globo não se preocupou divulgar origem dos fundos zoológicos que adquiriram o espólio...
Polícia armada até os dentes confiscam cestas de natal de fudidos...
Pirotecnia boboca alavancando Martha Rocha e José Mariano como candidatos nas próximas eleições ...
Enquanto...
Abrãao da Silva Maximiliano, 15 anos, foi condenado por antecipação...
A dor da família do menino Abraão será engolida...
A seco....
Sorvida a fel irreal e perfeitas lágrimas sinceras...
Cada Silva Maximialiano sem brazão segurando o pulso do outro que se contrai em dor...
Com a outra a erguer a alça do caixão do menino Abraão...
Num funeral doloroso em solidão...
Perdão menino!
Perdão!
Jorge Schweitzer