A crônica de uma rua que aprendeu a não reagir.
Ao registrar o ato organizado pelos estudantes da UFF no Centro do Rio — focado no movimento contra as diretrizes de Douglas Ruas — fui testemunha de um fenômeno que vai muito além da pauta política: o funcionamento prático de uma tática que exige uma disciplina psicológica impressionante.
Historicamente pioneiros, como bem destacou a matéria do jornal O Globo sobre o papel estopim da UFF nestas mobilizações, esses jovens trazem para o asfalto uma estratégia cirúrgica de segurança baseada na não reação pacífica. Diante de provocações externas agressivas, a ordem coletiva é o foco absoluto no ato.
Ao presenciar uma dessas ofensas, meu instinto imediato de cidadão foi o do revide; no entanto, fui prontamente desaconselhado pelos próprios estudantes a não cair em provocação.
Essa experiência pessoal certificou o que vinha observando de longe em outros episódios recentes na cidade: a dinâmica atual dessas mobilizações funciona como um freio moral coletivo, onde a juventude prefere resguardar a legitimidade do ato a responder ao conflito.
Entre os tambores marcantes da Rio Branco, a verdadeira força desse registro acabou se revelando no autocontrole invisível que rege a multidão.
Uma caminhada pacífica, obstinada e pedagógica.
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